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Coisas que aprendi com o mestre Rubem Alves

Por Isaias Costa

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No fim desta manhã do dia 19/07/2014, partiu deste mundo, aos 80 anos, um dos maiores educadores que este país já teve, o mestre Rubem Alves. Ele teve falência múltipla dos órgãos.

Tudo que eu possa escrever a seu respeito é pouco para descrever a abrangência do conhecimento e da sabedoria deste senhor tão carismático. Vou citar apenas algumas coisas que aprendi com ele.

1) Aprendi a não ter medo da morte

Ele sempre dizia nas entrevistas esta frase:
“Faça as contas para saber quantos anos não tenho. Que “não tenho”, sim; porque o número que você vai encontrar se refere aos anos que não tenho mais, para sempre perdidos no passado. Os que ainda tenho, não sei, ninguém sabe.”

O que ele está dizendo com essa frase é que ele ama tanto a vida, que não se importa tanto com a idade, pois ela é só um número. Muito mais importante do que a idade, é o que se faz da vida antes que a morte não aconteça. Aprendi essa sabedoria com ele, juntamente com a do grande Mario Sergio Cortella, que sempre nos instiga com a pergunta: “Qual é a tua obra?”. Eu estou construindo a minha obra através destes textos, mas acima de tudo, através de uma vida pautada em princípios éticos e espirituais.

A certeza da morte dá sentido à vida

2) Aprendi a ver a riqueza de sabedoria que existe em todas as crianças

Eu sempre digo e repito que as crianças são as criaturas mais sábias da nossa sociedade, porque elas têm sonhos vívidos, têm criatividade, têm um sentimento de compaixão profundo, são curiosas, gostam de contato humano, gostam de estar perto de quem as deixam felizes etc. Com o mestre Rubem e suas inúmeras crônicas e contos infantis, aprendi a ver essa riqueza que existe nas crianças e aprendi juntamente com isso a ser mais humilde, pois só quem é humilde pode dizer e escrever que as crianças são as mais sábias, e são! Pode discordar de mim se quiser…

Aprendendo o valor da compaixão com as crianças

3) Aprendi a cultivar a solidão que faz bem

O Rubem era um amigo da solidão. Aproveitava os momentos de solidão para ouvir músicas clássicas e escrever seus textos. A maior parte das pessoas se incomodam quando estão sozinhas, eu não! E parte dessa mudança de perspectiva devo a seus ensinamentos. Se quiser ler um pouco mais sobre a solidão amiga, deixo um texto abaixo de sua autoria:

A solidão amiga

4) Aprendi que a sanidade mental é algo bastante subjetivo.

Um dos escritores favoritos do Rubem era o grande filósofo alemão Nietzsche, que por muito tempo foi considerado louco, mas hoje é visto como um gênio, um poeta, um revolucionário. Na adolescência, às vezes achava que eu era louco por gostar de Matemática, Física, e ao mesmo tempo gostar de arte, de português, de teatro, pinturas, música clássica etc. Hoje vejo que é exatamente por gostar disso que escrevo, são esses gostos que me inspiram e despertam meu lado mais humano. Aprendi com o Rubem que a ideia de loucura é relativa, talvez eu seja um louco, mas sou um louco que ama poesia, que ama literatura, que ama a arte, que ama música boa. Muitos dos meus gostos nessas áreas tem influência deste senhor. Abaixo compartilho um dos seus textos mais geniais, que fala desta saúde mental…

O que é ter saúde mental?

5) Aprendi que conhecimento e sabedoria são muito diferentes

Com ele, aprendi que uma pessoa pode ser extremamente sábia e não ter conhecimento e alguém pode ter um conhecimento vastíssimo e não ter sabedoria. Com ele eu fortaleci em mim a certeza de que jamais serei o que ele chama de “Grande Mestre”, que são as pessoas do mundo acadêmico que ficam fissuradas em suas pesquisas e não estudam ou se interessam por nada que saia desta zona de conforto de suas pesquisas. Aqueles pesquisadores que “sabem cada vez mais de cada vez menos”. Se quiser ler um pouco mais sobre isso, deixo outro texto com mais detalhes…

O grande mestre

6) Aprendi a amar jardins

Uma das suas profissões era a de jardineiro. Ele adorava plantas e lendo seus textos poéticos que falam sobre jardins, aprendi a amá-los e a querer também me tornar um jardineiro. Ainda não tenho minha casa própria, mas quando a tiver, certamente colocarei plantas, que florirão e me farão lembrar o jardineiro que me fez amar jardins.

O jardim e o jardineiro

7) Aprendi a levar a imaginação e a arte para a Física e a Matemática

Sou professor destas matérias e sempre levo algo para ler com os alunos que não seja apenas Física e Matemática. Percebo que sempre que leio o Rubem para os alunos, eles se encantam, porque suas palavras são como um néctar, são inebriantes. Com suas palavras estou fazendo muitos dos meus alunos gostarem de ler literatura começando com essa imensa referência. Já pensou? Começar a gostar de ler com o Rubem? Tenho certeza que quem começa por ele, jamais deixará de ser um leitor ávido por boas leituras…

Poderia escrever páginas e páginas sobre o que aprendi com o mestre Rubem, mas fique tranquilo. Enquanto escrever nesse blog, seu nome aparecerá inúmeras vezes.

Vá em paz mestre Rubem! Seu nome, suas palavras e sua sabedoria ficarão marcados para sempre no fundo do meu coração e no de milhares de pessoas que, assim como eu, lhe admiram…

 

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Todos nós podemos ser geniais

Por Isaias Costa

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O Albert Einstein foi um dos maiores gênios que esse mundo já teve. Nós olhamos para esse Físico maluco e o que ele construiu ao longo da sua trajetória e não sabemos que podemos ser um pouquinho parecidos com ele. Você sabia que todos nós temos a semente da genialidade dentro de nós só esperando para ser regada e florescida? Vou explicar isso para você inspirado nele, é claro!

“Somos todos geniais. Mas se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em árvores, ele passará sua vida inteira acreditando ser estúpido.”

Albert Einstein

Essa frase é de uma profundidade imensa e ao mesmo tempo, de uma grande facilidade de ser entendida. Quando ele fala sobre os peixes, está falando diretamente sobre os nossos talentos. Cada um tem seus talentos absolutamente únicos, e o que leva uma pessoa a se tornar gênia, não é o seu Q.I ou seu cérebro privilegiado, é a CURIOSIDADE e o profundo desejo de estar sempre APRENDENDO COISAS NOVAS e se aperfeiçoando no que faz de melhor. Foi isso que ele fez e se tornou um dos cientistas mais importantes da humanidade.

O que leva nosso mundo a ter tão poucos gênios é algo muito grandioso e que, pelo menos no Brasil, ainda falta muito para mudar, é a EDUCAÇÃO. A nossa educação é pautada na aquisição de conteúdos simplesmente como um acúmulo de informações. As escolas não ensinam os alunos a pensarem por conta própria e a terem suas próprias conclusões. Gosto de lembrar das palavras do gênio Raul Seixas. Em algumas de suas entrevistas, ele frequentemente dizia que a única coisa que aprendeu na escola foi a odiá-la. Ele dizia abertamente que tudo que aprendeu foi através dos livros e da sua imaginação mais do que fértil. O que aconteceu com o Raul? Se tornou um mito, um cara inesquecível na música brasileira. Eu fico extremamente feliz por estudar a sua vida, a sua personalidade, suas músicas e sua filosfia para aprender a ser um pouquinho gênio como ele foi. Sei que é um longo caminho de busca por conhecimento que torna alguém um gênio e nada melhor do que estudar um pouco a vida dos grandes gênios. Eu escolhi estudar o Raul Seixas e você? Que tal escolher um grande gênio e começar a estudá-lo ainda hoje? Posso colocar alguns nomes aqui para você pesquisar se quiser: Leonardo da Vinci, Michelangelo, Galileu Galilei, Isaac Newton, Johannes Kepler, Thomas Edison, Nicolau Copérnico, Gauss, Nietzsche, Audoux Huxley, Van Gogh, Beethoven, Roberto Bolanõs, Santo Agostinho, Oprah Winfrey, Ayrton Senna, Bill Gates, Schopenhauer, Warren Buffett, Patch Adams etc. etc. etc.

Você só poderá se tornar um gênio se desenvolver duas artes, a da DÚVIDA e a da CRÍTICA. Todos os grandes gênios desenvolveram essas artes. Eles criaram coisas novas porque duvidavam do que existia e criticavam a forma como tudo funcionava e estava descrito através dos livros, da história, da ciência. É interessante frisar também que, quando desenvolvemos essas artes, juntamente com elas, também crescemos em SABEDORIA. As pessoas sábias são aquelas que tem a perspicácia de ver as coisas e não engolir simplesmente, sem antes se questionarem. Elas pensam, elas investigam, elas duvidam, elas procuram fazer algo melhor e inovador, então vão lá e fazem.

A arte da dúvida

Elas são FOCADAS. Elas concentram suas melhores energias naquilo que fazem de melhor, e por isso se tornam geniais. Se você tiver prestado atenção nos exemplos que coloquei, há gênios da ciência, da música, das artes. da literatura, do cinema, dos negócios, do esporte etc. Há gênios em absolutamente TODAS as áŕeas, diferente do que muitos pensam, que só há gênios na ciência, isso é um grande equívoco.

Aqui e agora

Eles são produtivos, o que é bem diferente de ser e estar ocupado. Passar muitas horas trabalhando pode ser algo produtivo ou não, depende daquilo que você executa enquanto trabalha. Os geniais são sempre produtivos porque o que eles fazem se torna algo MEMORÁVEL, o que é algo memorável? É aquilo que não se perde com o tempo, é algo que fica para a posteridade. Nessa hora gosto de citar o Michelangelo e seu belíssimo Davi. Quer uma escultura que seja mais memorável que o Davi? Essa obra não tem preço. É impossível estabelecer um valor mensurável em dinheiro para esta preciosidade. O seriado “Chaves” do Roberto Bolanõs, passarão séculos e ele continuará alegrando os corações de todos que assistirem, certamente colocarei meus filhos para assistirem esse seriado, pois ele tem uma magia, um encanto, uma perfeição, que falta palavras para descrever. Poderia passar horas citando obras memoráveis de gênios. Pronto! Isso é o que chamo da produtividade dos gênios, eles criam coisas que ficam para a posteridade e que são carregadas de emoção, de vida, do DNA dos seus criadores.

Há mais um detalhe sobre a produtividade. Os gênios sabem conviver muito bem com a solidão, e transformam a solidão em um amiga. Isso mesmo, uma amiga. Grandes insights surgem na mente dos gênios quando eles estão sozinhos, parados, quietos, contemplativos. Quer um exemplo? Nietzsche. A solidão era um deleite na sua vida. Esse homem tão lúcido em sua loucura tinha dificuldade de ser entendido pelas pessoas, exatamente porque a maior parte tem preguiça de pensar, de se questionar, de duvidar, o que ele fazia quase 100% do tempo. O Nietzsche é um dos meus grandes amigos e sempre estará me acompanhando em minha jornada. Existe um gênio brasileiro que escreve tanto sobre a SOLIDÃO quanto sobre o Nietzsche de forma absolutamente incrível, é claro que estou falando do mestre Rubem Alves. Compartilho aqui em baixo duas de suas crônicas mais incríveis, que tive a honra de publicar neste blog. Vale muito a pena conferi-las…

A solidão amiga
O que é ter saúde mental?

A maior parte deles entende o VALOR DO SERVIÇO. Se você pesquisar a vida de alguns gênios verá que eles não viviam só para si. Inclusive o Einstein em sua imensa sabedoria, disse uma vez a seguinte frase: “Somente uma vida que seja vivida para os outros vale a pena ser vivida”. Pense um pouquinho sobre essa frase… A alegria de muitos gênios da humanidade era ver os outros felizes e realizados. Por exemplo, Patch Adams, um gênio da Medicina, vivia e ainda vive para levar alegria e um serviço empático que cura as pessoas muito mais pelo carinho e atenção do que pelo Medicina em si. A Oprah Winfrey, o Bill Gates, o Warren Buffett, o Ayrton Senna e tantos outros, eles eram (no caso do Ayrton) e são comprometidos com belíssimas obras sociais, que estão fazendo esse mundo ser um lugar melhor. Esse ponto nem todos prestam atenção, mas estou revelando a você hoje. Quer ser um gênio? Sirva! Sabe quem foi o maior gênio da humanidade? Ainda não falei dele. Seu nome é Jesus Cristo. Ele dizia: “O maior dentre vós deve ser aquele que serve”. Palavras profundas que pouquíssimas pessoas entendem e põem em prática verdadeiramente. Para falar da genialidade de Jesus precisaria escrever um livro, tem tanta coisa sobre ele, o princípio e o fim, o caminho, a verdade e a vida…

O valor do serviço

Para terminar, volto à mensagem do Einstein. As pessoas que se tornam geniais não fazem algo que esteja fora de suas missões de vida. Aqui entra o peixe subindo na árvore. Muitas pessoas querem ser peixes subindo em árvores. Quem são essas pessoas? São aquelas que trabalham em algo que odeiam, aquelas que se formaram em um curso universitário só para agradarem aos pais, aquelas que acharam que era “muito difícil” seguir os sonhos e desistiram no meio do caminho, aquelas que se acomodaram em seus empregos achando que não há mais perspectivas de futuro, aquelas que tentam concursos públicos só porque o salário é bom e a carga horária é pequena etc. Pois é meu amigo! Sinto dizer, mas a genialidade nunca vai encontrar o coração destas pessoas. Sabe por quê? Exatamente por causa do coração! Só se torna um gênio quem coloca o seu coração naquilo que faz, ou seja, dá o seu melhor e supera a si mesmo dia após dia. Então? Você está dentro desse grupo? Se não! O que acha de começar hoje a tentar fazer parte?

Há muito mais a ser falado, mas acredito que falei sobre os principais fatores que levam alguém a se tornar um gênio. Vamos nos tornar gênios?…

 

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Mario Sergio Cortella: 60 anos

Por Isaias Costa

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Hoje é o aniversário de 60 anos de um dos maiores filósofos brasileiros, por quem tenho profunda admiração, o grande Mario Sergio Cortella. Ele nasceu no dia 05 de março de 1954, é Filósofo, Escritor, Educador, Palestrante e Professor Universitário da respeitada PUC de São Paulo, já escreveu diversos livros e um dos principais tem o título “Qual é a tua obra?”, cheio de provocações filosóficas, como ele mesmo chama. Eu me faço essa pergunta todos os dias e quero hoje lhe instigar a fazer também: Qual é a tua obra? Como você tem vivido a sua vida? Tem realizado os seus sonhos? Tem feito algo para ajudar os outros? Tem sido alguém importante no convívio social? Hoje é um belo dia para se fazer esses questionamentos e muitos outros…

Já aprendi e continuo aprendendo muito com sua sabedoria e clareza ao falar e escrever. Para homenageá-lo, vou compartilhar as suas falas do documentário “Eu maior”, além de textos escritos por mim como complemento para as ideias transmitidas por ele. As informações que estou colocando aqui hoje, para serem totalmente digeridas e assimiladas, é necessário que sejam relidas e revistas, por isso fiz questão de transcrever toda a sua fala, para que você tenha mais facilidade de acesso e leitura. Vamos viajar no mundo da Filosofia?

Entrevista com Mario Sergio Cortella

1º Trecho- Felicidade

“Felicidade é uma vibração intensa. Um momento em que eu sinto a vida em plenitude dentro de mim, e quero que aquilo se eternize. Felicidade é a capacidade de você ser inundado por uma alegria imensa por aquele instante, por aquela situação. Aliás, felicidade não é um estado contínuo. Felicidade é uma ocorrência eventual. A felicidade é sempre episódica.

Você sentir a vida vibrando, seja num abraço, seja na realização de uma obra, seja na situação em que seu time, por exemplo, vence, seja porque algo que você fez deu certo, seja porque você ouviu algo que queria ouvir. É claro que aquilo não tem perenidade. Aliás, a felicidade, se marcada pela perenidade, seria impossível. Afinal de contas, nós só temos a noção de felicidade pela carência. Se eu tivesse a felicidade como algo contínuo, eu não a perceberia. Nós só sentimos a felicidade porque ela não é contínua, isto é, ela não é o que acontece o tempo todo de todos os modos.”

Texto complementarA instável felicidade

2º Trecho- A felicidade e a solidão

“A ideia de felicidade sozinha, ela teria que ter uma questão anterior. Se é possível viver sozinho. Que, como felicidade, pelo óbvio, só acontece com alguém que vivo está e viver é viver com outros e outras. Como não é possível viver sozinho, a possibilidade da felicidade isolada, solitária, é nenhuma.

Para que eu possa ser feliz sozinho, eu teria que ter a capacidade de viver sozinho. Mesmo na Literatura, como Robinson Crusoé, por exemplo, que lida com o homem que está só, mas ele está só depois de ter vivido com outros. Ele traz as outras pessoas na sua memória, na sua história, no seu desejo, no seu horizonte. Não há história de ser humano em que tenha sido sozinho da geração até o término. Se assim não há, não há possibilidade de ser feliz sozinho.”

Texto complementarO vazio existencial

3º Trecho- Filosofia e Autoconhecimento

“Nos últimos 50 anos do século XX nós tivemos mais desenvolvimento tecnológico do que em toda a história anterior da humanidade. Todos os 39.950 anos anteriores desde que o homo sapiens era sapiens sapiens, da classificação científica, foram menos do que 50 anos finais do século XX. Seria a redenção da humanidade, com uma questão. As questões centrais permaneceram. Quem sou eu? Pra que tudo isso? Por que eu não sou feliz apenas quando eu possuo objetos? Por que o mal existe? Por quê que eu não tenho paz, em meio a tanta convivência? Nesta hora, não só a felicidade, ela sofreu um revival (renascimento), como a Filosofia passou a ser, de novo, interessante. E aí, é claro, a Filosofia como autoajuda, a Filosofia com autoconhecimento, a Filosofia como autocapacidade, a Filosofia como prática sistemática e, de repente, a gente tem no final do século XX, em vários lugares do mundo e do Brasil também, casas para estudar a Filosofia, procura de cursos de Filosofia.”

Texto complementarDia mundial da Filosofia

4º Trecho- Ser famoso ou ser importante

“Você e eu sabemos que vamos morrer um dia. Desse ponto de vista, não é a morte que me importa, porque ela é um fato. O que me importa é o que eu faço da minha vida enquanto a minha morte não acontece para que essa vida não seja banal, superficial, fútil, pequena…

A esta hora preciso ser capaz de fazer falta. No dia que eu me for eu quero fazer falta. Fazer falta não significa ser famoso, significa ser importante.

Há uma diferença entre ser famoso e ser importante. Muita gente não é famosa e é absolutamente importante.
Importar significa levar para dentro. Alguém me importa para dentro, me carrega.

Eu quero ser importante. Por isso, para ser importante eu preciso não ter uma vida que seja pequena. E uma vida se torna pequena quando ela é uma vida que só se apoia e si mesmo, fechada em si. Eu preciso transbordar. Eu preciso me comunicar. Eu preciso me juntar. Eu preciso me repartir nessa hora… Minha vida, que, sem dúvida ela é curta, eu desejo que ela não seja pequena…”

Texto complementar: Ser famoso ou ser importante

Documentário “Eu maior”

Esse filme inteiro é maravilhoso e recomendo que você o assista na íntegra, mas se quiser ver apenas as partes do Cortella, estão entre os minutos “02:20 – 03:15min” e “36:15 – 37:40min”.

1º Trecho- As grandes questões humanas

“Em toda a história da humanidade é uma questão que nos acompanha. Em qualquer momento da história humana. A grande questão, que é absolutamente abstrata, mas ela é funda é: Por que é que existe alguma coisa e não nada?

Quatro foram os caminhos para tentar responder a essa angústia. A Ciência, a Arte, a Filosofia e a Religião. Essa quatro áreas, elas se dedicaram a tentar explicar: Por quê que nós existimos? Por quê que as coisas existem? Com uma grande diferença, a ciência procurou trabalhar o “como” das coisas, isto é, o funcionamento, enquanto que a Filosofia, a Arte e a Religião foram em busca dos “porquês”. Ambos são necessários, não ao mesmo tempo e não do mesmo modo. Mas tanto o “como” quanto o “porque” são necessários.”

Texto complementarAs moradas celestiais

2º Trecho- Não nascemos prontos

“Quando alguém me pergunta: Você mudaria algo em você? Eu digo: Sempre, claro, com alegria. Inclusive, porque, se algo me chateia, é quando alguém me diz: “Cortella! Você continua o mesmo!”. Você já imaginou, no mundo de mudança, de alteração, de processo, eu ter ficado congelado. Se tem uma coisa que eu detesto é a ideia de ter uma vida formol, em que eu congele alguns cadáveres. Eu, para usar uma frase antiga, não me envergonho dos anos que eu fui, mas eu gosto de lembrar que eu já tive muitas vidas, que foram sendo feitas, refeitas e reinventadas. Ao contrário do que muita gente imagina, a gente não nasce pronto e vai se gastando, a gente nasce não-pronto e vai se fazendo. Eu não nasci em 1954 e vim me gastando até hoje. Eu nasci não-pronto e vim me fazendo. O que nasce pronto é fogão, sapato, geladeira. Esses sim vão envelhecendo. Então eu quero sim mudar várias coisas, quero mudar o meu senso estético, quero ter uma ampliação da minha capacidade de ouvir, de enxergar, de fruir sabores, aí eu quero ser capaz de mudar a minha conduta em relação a algumas pessoas com as quais convivo para que elas fiquem melhores. Ainda bem! Você ser do mesmo modo, de uma maneira persistente não é sinal de coerência, é sinal de tacanhice mental.”

Textos Complementares
Todos nós somos caleidoscópios
Flores e espinhos

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Carregar o mundo nas costas

Por Isaias Costa

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Todo mundo tem defeitos e eu sou uma pessoa que está aprendendo a não ter medo de revelar os meus, um grande defeito que tenho é de às vezes achar que tenho que resolver tudo e estar bem 100% do tempo, ou seja, eu sou uma pessoa que se cobra demais às vezes e estou aprendendo a lidar com isso de forma mais serena e equilibrada.

Para refletir sobre isso quero compartilhar um pequeno texto do meu amigo Thiago Rebouças e que fala justamente sobre carregar o mundo nas costas.

“Os heróis também podem sangrar” O que muita gente esquece é que não se pode ser forte o tempo todo. Você pode se sentir cansado, você pode ter medo, você pode não conseguir acertar sempre. Faz parte da nossa natureza. Às vezes o que você precisa é ser acolhido, se esconder… Pelo menos uma vez deixe de tomar as decisões, deixe de ser a pessoa que tem que se preocupar com tudo! Ai você pode dizer: “Mas se eu não fizer ninguém vai fazer”. Então, que ninguém faça! Não carregue a responsabilidade do mundo nas suas costas. Você não vai conseguir. Se você não for 100%, não se preocupe, ninguém é. E se alguém deixar de te admirar por isso, é porque a pessoa nunca admirou você de verdade. O amor nasce a partir das imperfeições. E não é quando você tem tudo, mas sim quando você não tem nada a oferecer. É assim que nos sentimos mais humanos. Tá na hora de você ser salvo por alguém. É a sua vez de ser carregado.

Eu achei esse texto a minha cara. Eu até já falei para as pessoas que me são mais próximas que o fato de escrever sobre a vida, sobre sonhos, sobre sucesso, sobre espiritualidade… quase todos os dias, não me faz melhor do que ninguém, não! Eu erro e erro muito, talvez mais do que você que me lê agora! Por essas e outras eu tenho procurado ser mais sereno e compassivo. Estou procurando fazer o melhor possível para ajudar as pessoas, mas sei que estou longe de alcançar o máximo do meu potencial.

Tem uma frase que acho muito bonita e mostra um pouco do que sinto de vez em quando, uma frase do cantor e compositor Humberto Gessinger que diz: “Você esquece que eu não sou de ferro, e até o ferro pode enferrujar…”. Eu sou um pouco assim, tento ser forte como o ferro na maior parte do tempo, mas às vezes eu enferrujo e, nestes momentos, mais do que nunca, paro para refletir e pedir o aconchego das pessoas que me são mais próximas. Mais uma vez eu repito, um amigo verdadeiro é muito importante nesses momentos em que nos sentimos “enferrujados”. Valorize os seus amigos mais sinceros, a presença deles em sua vida é uma dádiva de valor inestimável.

Quero concluir falando sobre o amor e as imperfeições. É bem verdade que o amor nasce das imperfeições. Você já reparou no quanto os heróis do cinema são solitários? Eles são solitários porque são sempre vistos pelos outros como “perfeitos”, e não são, não existe ninguém perfeito, nem mesmo os heróis. O que acontece com os heróis do cinema é que as pessoas contam com eles apenas para serem salvas, e não para uma conversa boba ou uma saída para curtir um pouco. E isso gera solidão, porque ninguém pode ser um “Herói” ou um “Messias” o tempo todo, na realidade pensar isso é algo um tanto egocêntrico ou desequilibrado. Eu escrevi sobre as pessoas “Messias” em outro post. Para quem quiser ler, segue o link.

Pessoas Messias

E como eu adoro música, quero deixar a música do Humberto Gessinger que falei, ela se chama “Não é sempre”. Espero que goste…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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A sutil destruição dos laços humanos

Por Isaias Costa

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O mundo globalizado e cada vez mais virtual no qual estamos inseridos tem sofrido demais com a drástica mudança nos níveis de relacionamentos afetivos. Para você ter novos amigos basta dar um clique no facebook e logo você cria a sua “lista” de 500, 1000, 2000 “amigos do facebook”. Mas será que essas amizades são sólidas? Será que elas preenchem os nossos vazios interiores e sentimentos de incompletude? Para refletir sobre isso, compartilho um vídeo fabuloso do grande sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Neste vídeo, ele trata da sutil destruição dos laços humanos causados pela tecnologia. Também transcrevi toda a sua fala, caso queira ler ou imprimir. Reflita sobre isso e procure fortalecer os laços humanos, principalmente os mais próximos, pois ter amizades verdadeiras é uma dádiva de valor inestimável e uma das maiores riquezas que o ser humano pode ter…

“Um viciado do facebook me segredou, não segredou, de fato, mas gabou-se para mim de que havia feito 500 amigos em um dia. Minha resposta foi que eu tenho 86 anos, mas não tenho 500 amigos. Eu não consegui isso. Então, provavelmente, quando ele diz “amigo” e eu digo “amigo”, não queremos dizer a mesma coisa. São coisas diferentes.

Quando eu era jovem, eu nunca tive o conceito de “redes”. Eu tinha o conceito de laços humanos, de comunidades, esse tipo de coisa, mas não de redes. Qual é a diferença entre comunidade e rede? A comunidade precede você. Você nasce numa comunidade. Por outro lado, temos a rede. O que é a rede? Ao contrário da comunidade, a rede é feita e mantida viva por duas atividades diferentes. Uma é conectar e a outra é desconectar. E eu acho que a atratividade do novo tipo de amizade, o tipo de amizade do facebook, como eu chamo, está exatamente aí. Que é tão fácil de desconectar. É fácil conectar, fazer amigos. Mas o maior atrativo é a facilidade de se desconectar.

Imagine que o que você tem não são amigos on-line, conexões on-line, compartilhamento on-line, mas conexão off-line, conexões de verdade, frente a frente, corpo a corpo, olho no olho. Então, romper relações é sempre um evento muito traumático. Você tem que encontrar desculpas, você tem que explicar, você tem que mentir com frequência e, mesmo assim, você não se sente seguro, porque seu parceiro diz que você não tem direitos, que você é um porco etc.

É difícil, mas na internet é tão fácil. Você só pressiona delete e pronto. Em vez de 500 amigos, você terá 499, mas isso será apenas temporário, porque amanhã você terá outros 500 e isso mina os laços humanos.

Os laços humanos são uma mistura de benção e maldição. Benção porque é realmente muito prazeroso, muito satisfatório, ter outro parceiro em quem confiar e fazer algo por ele ou ela. É um tipo de experiência indisponível para a amizade no facebook, então é uma benção.

E eu acho que muitos jovens não têm nem mesmo consciência do que eles realmente perderam, porque eles nunca vivenciaram esse tipo de situação.

Por outro lado, há a maldição, pois quando você entra no laço, você espera ficar lá para sempre. Você jura, você faz um juramento: até que a morte nos separe para sempre. O que isso significa? Significa que empenha o seu futuro. Talvez amanhã, ou no mês que vem, haja novas oportunidades. Agora, você não consegue prevê-las e você não será capaz de pegar essas oportunidades, porque você ficará preso, preso aos seus antigos compromissos, às suas antigas preocupações. Então, é uma situação muito ambivalente e, consequentemente, um fenômeno curioso dessa pessoa solitária numa multidão de solitários. Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo. De que há dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis para uma vida satisfatória, recompensadora e relativamente feliz. Um é a segurança e o outro é a liberdade. Você não consegue ser feliz, você não consegue ter uma vida digna na ausência de um deles, certo?

Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é um completo caos, incapacidade de fazer nada, planejar nada, nem mesmo sonhar com isso. Então, você precisa dos dois. Entretanto, o problema é que ninguém ainda, na história e no planeta, encontrou a fórmula de ouro, a mistura perfeita de segurança e liberdade.

Cada vez que você tem mais segurança, você entrega um pouco de sua liberdade. Não há outra maneira. Cada vez que você tem mais liberdade, você entrega parte da sua segurança. Então você ganha algo e você perde algo…”

Textos relacionados

* É hora de desconectar
* Ser de todos e de ninguém
* Ando só

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Solidão e solitude numa visão filosófica

Por Isaias Costa

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Tempos atrás escrevi um texto falando sobre a diferença entre solidão e solitude. Alguns meses depois eu me deparei com um texto do filósofo e místico Osho exatamente com o mesmo título e fiquei impressionado, porque eu nunca tinha lido antes. Então resolvi acrescentar suas belíssimas e sábias palavras ao que já tinha exposto. Aos que não leram o texto anterior segue o link e logo em seguida o texto do Osho. Vamos cultivar a solitude…

Solidão e Solitude

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Solidão e Solitude

“Nascemos sós, vivemos sós e morremos sós. A solitude é nossa verdadeira natureza, mas não estamos cientes dela. Por não estarmos cientes, permanecemos estranhos a nós mesmos e, em vez de vermos nossa solitude como uma imensa beleza e bem-aventurança, silêncio e paz, um estar à vontade com a existência, a interpretamos erroneamente como solidão.

A solidão é uma solitude mal interpretada. E uma vez interpretando mal sua solitude como solidão, todo o contexto muda. A solitude tem uma beleza e uma imponência, uma positividade; a solidão é pobre, negativa, escura, melancólica. A solidão é uma lacuna. Algo está faltando, algo é necessário para preenchê-la e nada jamais pode preenchê-la, porque, em primeiro lugar, ela é um mal entendido. À medida que você envelhece, a lacuna também fica maior. As pessoas têm tanto medo de ficarem consigo mesmas que fazem qualquer tipo de estupidez. Vi pessoas jogando baralho sozinhas, sem parceiros. Foram inventados jogos em que a mesma pessoa joga cartas dos dois lados.

Aqueles que conheceram a solitude dizem algo completamente diferente. Eles dizem que não existe nada mais belo, mais sereno, mais agradável do que estar só.

A pessoa comum insiste em tentar se esquecer de sua solidão, e o meditador começa a ficar mais e mais familiarizado com sua solitude. Ele deixou o mundo, foi para as cavernas, para as montanhas, para a floresta, apenas para ficar só. Ele deseja saber quem ele é. Na multidão é difícil; existem tantas perturbações… E aqueles que conheceram suas solitudes conheceram a maior das bem-aventuranças possíveis aos seres humanos, porque seu verdadeiro ser é bem-aventurado.

Após entrar em sintonia com sua solitude, você pode se relacionar. Então, seu relacionamento trará grandes alegrias a você, porque ele não acontecerá a partir do medo. Ao encontrar sua solitude, você pode criar, pode se envolver em tantas coisas quanto quiser, porque esse envolvimento não será mais fugir de si mesmo. Agora, ele será a sua expressão, será a manifestação de tudo o que é seu potencial.
Porém, o básico é conhecer inteiramente sua solitude.

Assim, lembro a você, não confunda solitude com solidão. A solidão certamente é doentia; a solitude é perfeita saúde. Seu primeiro e mais fundamental passo em direção a encontrar o significado e o sentido da vida é entrar em sua solitude. Ela é seu templo, é onde vive seu Deus, e você não pode encontrar esse templo em nenhum outro lugar.”

482401_404512223012213_1052589395_n* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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Ficar só

Por Isaias Costa

amadurecimento

Hoje eu quero compartilhar um texto simplesmente fabuloso que li tempos atrás e que fala sobre a SOLIDÃO e o AMADURECIMENTO. Um texto do psicanalista e escritor André Camargo Costa chamado “Ficar só” e ao final, pra terminar a leitura com música vou deixar também um link com uma que adoro, chamada “Sorte e azar”, da banda Pato Fu, que fala de forma bastante sutil a questão da solidão.

Vou até a janela e olho lá pra baixo. Não é a primeira vez. Frio, lá fora, super frio. Vejo os carros parados impacientes querendo se espremer e soa ao longe uma sirene. As pessoas apressadas.

Sempre tem o som de uma sirene, ou de uma buzina, ou de um alarme. De vez em quando é longe e de vez em quando é perto. Se não tem, a gente ouve a ausência, como se a coisa estivesse lá de qualquer jeito, não estando.

Quando a gente faz pipoca de micro ondas, é só desligar se passa mais de dois segundos e não vem um estouro. Se não desligar, queima. Estou lembrando disso agora porque é igual: a gente para, espera um pouco, e sempre tem uma sirene, ou uma buzina, ou um alarme de carro. Ou um tiro, um grito, não sei.

Quando vai passando mais tempo e nada, a gente começa a se sentir mal – se não tem sirene, buzina, alarme, tiro ou grito, é porque algo de muito grave deve estar acontecendo, um cataclisma nuclear ou uma final de copa do mundo. Mas quando têm essas coisas, sirene, tiro etc., a gente também se sente mal.

“Vai, cara, pega o carro e sai. Sai dessa casa. Você precisa ver gente, sei lá, dar uma movimentada. Pega o carro e sai. Você já está atrasado.”

Percorro mentalmente o caminho até lá. Trânsito. Identifico com o pensamento os trechos piores e procuro alternativas. Trânsito, tudo parado. Não tem alternativa. Posso ir de ônibus, metrô… Não, lotados. Não dá tempo.

“Vai ser legal. Vamos, a vida está passando, as coisas estão acontecendo e você aqui fechado. É só um pequeno esforço e amanhã você vai ter do que se lembrar…”

Tem essa parte desgarrada de mim que vive dentro e às vezes resolve dar conselho: “Pega o carro”. Essa parte desgarrada tá sempre falando e às vezes parece que eu é que sou a parte desgarrada, um figurante periférico da existência falante e ininterrupta dela.

O gato pula, se enrola inteiro no tapete e acho que está se divertindo. Faz uns movimentos meio espasmódicos com as pernas. A gata pula em cima e dá um tapão. As orelhas viram lá pra trás, os olhos fixos, e os dentes aparecem. Por que eles fazem isso?

Sinto os pés gelados dentro da meia. A meia de lã não dá conta. O pior é que eu realmente precisava ir. Eu disse que hoje eu ia. Mas acho que não, hoje eu vou ficar em casa. Só mais um dia. Só essa noite.

Segundo os filósofos, a solidão é a situação do sábio. Isso porque o sábio precisa se desligar das relações superficiais do dia-a-dia, como discutir quem matou Odete Roitman ou prever a alta do barril de petróleo, para buscar relações mais profundas, comunicando-se com as gerações de sábios do passado ou do seu próprio tempo. Dizendo de outro jeito, o sábio se afasta para poder enxergar melhor.

Mas a solidão é também irmã do isolamento – que é quando a gente tem muita dificuldade de se comunicar e vai se fechando “dentro”. Os sentimentos sufocam, o pensamento acelera e toma conta e, em meio à solidão, à insegurança e ao desamparo, a gente pode começar a sentir que está ficando louco.

Quem eu vi falar mais legal desse tema, solidão foi um psicanalista inglês já morto: Donald Winnicott. Ele descreveu o crescimento emocional como o desenvolvimento paulatino da nossa capacidade de estar só.

Quanto mais amadurecemos emocionalmente, menos dependemos dos outros para nos sentirmos queridos e seguros, e mais apreciamos a saudável convivência com nós mesmos.

Para que isso seja possível, contudo, precisamos de alguém muito especial na fase da vida em que estamos mais dependentes e vulneráveis, alguém que nos permita estar no nosso próprio mundo em sua presença. Durante a tenra infância, algum adulto querido deve estar suficientemente presente para nos dar segurança e suficientemente ausente para não ser invasivo, que é o que nos permite cultivar o senso de individualidade, independência e confiança em si mesmo e no mundo.

O protótipo disso é a mãe ou o pai que apenas está junto, sem interferir nem se ausentar, enquanto o filho ou a filha brincam despreocupadamente. A criança sabe que o adulto protetor está lá, e só isso é muito bom. Para não nos sentirmos solitários ao longo da vida crescida, é necessário que interiorizemos este adulto protetor e não invasivo – precisamos aprender a carregar dentro de nós este senso de presença confiável porém discreta.

Como sugere o Octavio Paz no começo deste programa, e eu também penso assim, a situação humana envolve silêncio e isolamento. As palavras são uma forma de compartilhamento precário e insatisfatório, que eventualmente dão a impressão de contato. Mas se pararmos para olhar é tão pouco o que conseguimos nos aproximar dos outros, mesmo os mais queridos! O silêncio infinito, constantemente tateando à procura de sentido, estamos condenados, nas nossas relações afetivas mais íntimas, a um eterno balbuciar.

Nestas circunstâncias, que são as circunstâncias que definem a vida da maioria das pessoas, conseguimos ficar bem com nós mesmos quando acolhemos tanto a nossa necessidade de um espaço só nosso, que não diga respeito a mais ninguém, quanto de autêntica proximidade e intimidade calorosa com os outros. Amor próprio, sem o que a vida não vale a pena, brota do respeito e do cuidado com a nossa essência comum: a solidão.

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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A beleza de estar sozinho

Por Isaias Costa

Deus-costuma-usar-a-solidão-para-nos-ensinar-sobre-a-convivência.-Às-vezes-usa-a-raiva-para-que-possamos-compreender-o-infinito-valor-da-paz.Paulo-Coelho1

Há um tempo eu escrevi um texto falando sobre a importância de ser flexível, mas só toquei em pouquíssimos pontos, as ideias do Dalai Lama são muito mais abrangentes do que o que falei no outro texto, aos que ainda não leram segue o link…

Ser flexível

Hoje eu quero tratar da flexibilidade a partir de um tema que é um calo no pé para milhões e milhões de pessoas, a SOLIDÃO. Muitos só de ouvir essa palavra já saem correndo com medo. Será que a solidão é tão ruim assim? Posso afirmar que não, da mesma forma que o meu amigo Dalai Lama também afirma. Mas o que a flexibilidade tem a ver com a solidão? Vou explicar. Para simplificar e ser bem direto, é a questão de se INTROMETER na vida dos outros. A solidão para muitas pessoas é uma questão de escolha pessoal completamente consciente, trata-se de uma solidão que faz parte de seus desejos e ideais mais profundos. Muitas pessoas querem se intrometer na vida de outras que vivem sozinhas, pensando que elas são malucas, ou antissociais, ou egocêntricas, ou psicóticas, psicopatas, e por aí vai. Calma meu amigo! O que leva você a concluir algo tão sério assim do nada? Sem mais nem menos? Simplesmente através de “achismos”? Eu posso afirmar a você que existem muitas pessoas que lidam muito bem com a solidão e que inclusive é o melhor caminho para elas. Foi por isso que falei do Dalai Lama, o que acabei de falar faz parte da sua mística de vida. Eu garanto que se alguém solitário se aproxima dele, ele não fica com “achismos”, tachando a pessoa de mil e um adjetivos sem nexo. O que estou tratando aqui tem uma relação muito grande com a SOLITUDE, que é diferente da SOLIDÃO. Eu expliquei isso com detalhes neste post.

Solidão e Solitude

Você está entendendo aonde quero chegar? O que quero dizer é que devemos ser flexíveis também com esse ponto. Se alguém decide por viver sozinho não é problema seu, vá cuidar dos seus problemas, você já tem problemas demais pra ainda ficar se preocupando com os “problemas” dos outros.

Agora vou falar de outro ponto importantíssimo. Grande parte das pessoas que ficam dizendo: “Fulano de tal é muito solitário…”, são elas próprias as pessoas solitárias, e quando veem outras que conseguem lidar bem com a solidão morrem de inveja e acabam pronunciado essas infelizes palavras. Elas muitas vezes são dominadas por um medo terrível de ficarem sozinhas, como se a solidão fosse algo a ser evitado até a morte. Mas na realidade, a solidão deveria ser uma das nossas melhores amigas. Eu me considero um amigo da solidão. Não moro sozinho, mas convivo muito bem com as situações de isolamento e a principal mensagem que quero lhe deixar hoje é que a solidão é maravilhosa, desde que você saiba qual é o seu objetivo, que é olharmos para dentro de nós mesmos, sem máscaras e sem subterfúgios. Na solidão nós nos mostramos exatamente como somos, e isso assusta muita gente, principalmente aquelas que insistem em se vestir de máscaras e mais máscaras.

Entendendo a solidão

Quero concluir falando de uma pessoa que conheci e adorei sua história. Ela é uma mulher completamente livre e segura de si, muito bonita e incrivelmente talentosa. Essa mulher que estou falando é casada, mora sozinha e seu marido mora sozinho em outra casa. Eles são extremamente felizes, dão de mil a zero em muitos casais que vivem juntos em seus “pseudocasamentos”. Será que ela é maluca? Como talvez muitos venham a pensar? Posso afirmar que não! Ela é uma mulher feliz e livre. Não precisa seguir o que a sociedade quer impor goela abaixo das pessoas. Este é um exemplo maravilhoso para você deixar de pensar que a solidão é algo ruim, muito pelo contrário, ela é uma dádiva, mas só para quem a compreende…

Para continuar refletindo sobre esse tema tão instigante e amplo vou deixar o link com o texto que li falando sobre a solidão e me inspirou a escrever esse post. Vale muito a pena conferir. É um texto excelente…

A sua melhor companhia: você

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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A solidão amiga

Por Isaias Costa

solidao

Você já pensou na solidão como uma amiga? Sabia que a maior parte das pessoas tem pavor a essa palavra? Por que? Será que a solidão é tão má assim? Eu quero dizer a você hoje que a solidão pode sim ser uma amiga, basta saber cultivá-la de forma consciente e serena. É como eu já falei várias vezes aqui, estar completamente envolvido com a experiência de estar sozinho é o que faz com que ele seja uma amiga. Para refletir um pouco sobre isso quero deixar um texto incrível do mestre Rubem Alves, esse senhor que consegue me transportar para universos paralelos toda vez que leio textos de sua autoria…

“A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão… O que mais você deseja é não estar em solidão…

Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão.

Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música… Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa… Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão… A noite estava perdida.

Faço-lhe uma sugestão: leia o livro A chama de uma vela, de Bachelard. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma. Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem. Como ele observa, “parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxuleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis“. A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, como motivo de meditação: “Como se comporta a Sua Solidão?“ Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? A solidão se comporta? Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida.
Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.“ Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.

Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga.

Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drumond diz que sim…Nietzsche também tinha a solidão como sua companheira. Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, frequentemente, pessoas que caminham por razões da saúde. Incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. E vão falando, falando, sem ver o mundo maravilhoso que as cerca. Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é a alegria de estar em comunhão com a natureza. Elas não veem as árvores, nem as flores, nem as nuvens e nem sentem o vento. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo falatório vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer. O estar juntos não quer dizer comunhão. O estar juntos, frequentemente, é uma forma terrível de solidão, um artifício para evitar o contato conosco mesmos. Sartre chegou ao ponto de dizer que “o inferno é o outro…

O primeiro filósofo que li, o dinamarquês Soeren Kiekeggard, um solitário que me faz companhia até hoje, observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação. Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos. Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar. Nunca fui convidado a ir à casa de qualquer um deles. Nunca convidei nenhum deles a ir à minha casa. Eu não me atreveria. Conheci, então, a solidão. A solidão de ser diferente. E sofri muito. E nem sequer me atrevi a compartilhar com meus pais esse meu sofrimento. Seria inútil. Eles não compreenderiam. E mesmo que compreendessem, eles nada podiam fazer. Assim, tive de sofrer a minha solidão duas vezes sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a música clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão…

A sua infelicidade com a solidão: não se deriva ela, em parte, das comparações? Você compara a cena de você, só, na casa vazia, com a cena (fantasiada) dos outros, em celebrações cheias de risos… Essa comparação é destrutiva porque nasce da inveja. Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói. Dói uma dor da qual pode nascer a beleza. Mas não sofra a dor da comparação. Ela não é verdadeira.”

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Ando só

Por Isaias Costa

facebook-narcisismo

Eu já falei algumas vezes nesse blog a respeito da solidão, ela aparece na vida de todas as pessoas, mas uma das coisas que mais tem agravado a solidão nos tempos de hoje são as queridas REDES SOCIAIS. Essa febre que existe de ter que postar alguma coisa para mostrar aos amigos o que está sentindo, o que anda pensando, o que vai comer no jantar, para onde vai sair no final de semana, como foi a balada ou o “happy hour” da sexta-feira, etc etc. Tudo isso e muito mais tem feito de forma bem sorrateira as pessoas se tornarem mais solitárias, e saiba que não estou me colocando como um espectador viu? Eu também faço o que estou dizendo agora e estou procurando dar um “freio” nisso, porque sei o que é o ESSSENCIAL, e sei que o essencial é invisível aos olhos, como diria o pequeno príncipe.

Quero lhe convidar a refletir sobre toda essa conexão febril do facebook e se questionar: Será que eu estou mais feliz com tanta comunicação virtual? Será que os meus relacionamentos estão mais ricos agora que tenho 800, 1000, 1500, 2000 amigos no facebook? As curtições do facebook me transmitem uma felicidade genuína ou são apenas formas de dizer: “Eu tô aqui viu?”; as fotos dos amigos no facebook me deixam feliz por eles ou me deixam com aquela pitadinha de ciúme e vontade de estar lá também ou de ter essa mesma oportunidade de viajar?…

Questione-se! Nesses últimos dias eu me fiz todos esses questionamentos e vários outros! Então resolvi expressá-los aqui com você hoje!

Quero deixar um texto incrível que fala sobre isso que questionei de uma forma bem mais aprofundada e direta. Esse texto é um verdadeiro tapa na cara dos “facebookeiros” de plantão! Leia e reflita sobre ele! Aproveite para compartilhar com os amigos e fazê-los refletir também.

E como eu adoro música, também vou deixar uma linda música que fala sobre a solidão. As redes sociais existem para nos aproximar e para compartilharmos coisas boas meus amigos, ela não existe para nos deixar tristes e solitários. Devemos ter o equilíbrio e saber como utilizá-las de forma sábia. Essa é a principal mensagem que quero transmitir a você hoje. E a música é a “Ando só”, dos Engenheiros do Havaii.

De acordo com Sherry Turkle, uma famosa psicóloga, escritora e diretora da Iniciativa “Tecnologia e Self” do MIT, a mídia “social” é, na realidade, apenas um meio para nos permitir estar sozinhos enquanto permanecemos conectados a muitas outras pessoas!

Um menino de 16 anos, que produz de mensagens de texto sobre quase tudo, disse melancolicamente: “Algum dia, mas não agora, eu gostaria de aprender a ter uma conversa.” Os jovens têm mudado de “ter uma conversa” para “permanecer conectado “. Quando você tem 3.000 “amigos” no Facebook, você não tem conversas reais com nenhum deles. Você só faz ologin para poder falar sobre si mesmo para um público seguro.

Conversas virtuais são momentâneas, rápidas, e às vezes brutais. Face a face, as conversas têm uma natureza completamente diferente: elas são mais lentas, repletas de nuances, e nos ensinam a sermos pacientes. Participar de uma conversa significa que precisamos ver as coisas do ponto de vista do outro, que é um pré-requisito para desenvolver empatia e altruísmo.

Muitas pessoas hoje sentem-se felizes em falar com máquinas que parecem se importar com elas. Está sendo feita uma pesquisa para desenvolver robôs sociais, destinados a se tornarem companheiros para crianças e idosos. Sherry Turkle viu uma mulher idosa confidenciar a um bebê foca robô sobre a perda de seu filho; o robô parecia olhá-la nos olhos e realmente seguir a conversa, e a mulher admitiu que isso a confortava.

Será que o individualismo foi tão longe em levar as relações humanas ao empobrecimento e ao isolamento ao ponto de conseguirmos encontrar compaixão apenas em robôs? Parece que estamos cada vez mais atraídos por tecnologias que oferecem a ilusão de companhia sem as demandas de relações humanas. Corremos o risco de desenvolver simpatia apenas por nós mesmos, e desenvolver o hábito de lidar com as alegrias e tristezas dentro de uma bolha de egocentrismo.

As pessoas costumam dizer: “Ninguém me ouve.” Facebook e Twitter agora proporcionam uma audiênca automática. No entanto, verificou-se que as redes sociais são principalmente um meio de auto-promoção.

Curiosamente, o desenvolvimento destas relações pseudo-humanas anda de mãos dadas com o medo da solidão. As pessoas agora estão com medo de ficar sozinhas consigo mesmas. Entregues a si próprias, sentem a necessidade de fazer um login. Segundo Turkle, as pessoas passaram da fase “Eu sinto algo, vou compartilhá-lo enviando uma mensagem”, à compulsão “Preciso sentir alguma coisa, preciso enviar uma mensagem “.

Falta-nos a capacidade de estarmos sós conosco mesmos, e assim nos voltamos para os outros, não para estabelecer uma relação altruísta e desenvolver um interesse sobre quem eles são, mas para usá-los como peças de reposição para apoiar nossas personalidades cada vez mais frágeis. Nós pensamos que, permanecendo “conectados” nos sentiremos menos solitários, mas na verdade acontece o oposto. Se não somos capazes de estar sós, somos mais propensos a sofrer de solidão. A pesquisa constatou que o americano comum sofre de uma forte crise de solidão, em média, uma vez a cada quinze dias. De acordo com Turkle, “Se não ensinarmos nossas crianças a ficarem sozinhas, sofrerão sempre de solidão”.

Nós também precisamos revitalizar o hábito de conversar no trabalho e em casa. Pessoas que participam com frequência de conferências e reuniões sabem que é geralmente durante as conversas de cafezinho que as interações mais frutíferas acontecem.

Matthieu Ricard

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