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Toda ação nobre é voluntária

Por Isaias Costa

“Nada é nobre se é feito a contragosto ou sob compulsão. Toda ação nobre é voluntária.”

Sêneca

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Sempre que eu falo ou escrevo sobre o voluntariado, a primeira coisa que me vem em mente é a etimologia incrível dessa palavra. Ela deriva de volutas, que significa “vontade”. Ou seja, as atitudes voluntárias por definição só são possíveis se de fato existe vontade nas pessoas que as executam!

Então o Sêneca associa vontade com a nobreza, ou seja, algo de grande valor! E ele inicia a frase dizendo que algo feito a contragosto ou sob compulsão não pode ser nobre! Analisando essa palavra contragosto eu me lembrei de uma belíssima parábola contada por Jesus na qual ele fala sobre dois filhos que foram chamados para trabalhar na vinha junto com seu pai. O pai chamou o primeiro e este disse: “Não quero”. Porém, se arrependeu e acabou indo. Depois o pai chamou o segundo filho e este prontamente respondeu “Sim, senhor!”, mas acabou não indo! Daí, ele faz o questionamento: “Qual dos dois fez a vontade do pai?”.

Essa parábola traz um simbolismo belíssimo de que não importa tanto o que se diz, mas acima de tudo o que se FAZ, ou seja, as AÇÕES. Até porque muitas vezes, nós no calor dos momentos de raiva, impaciência, cansaço, tristeza etc. dizemos coisas que pouco depois nos fazem arrepender de termos dito. É muito fácil nos perdermos nas nossas palavras, agora quando se trata das ações a coisa é mais profunda!

São as ações que vão criando a nossa realidade e nosso destino. Então precisamos nos pautar numa ética profunda para que nossas ações reflitam o melhor que há em nós!

A segunda palavra que Sêneca traz é a compulsão, ou seja, tudo aquilo que se torna de certa forma viciante em nós. E o interessante é que às vezes temos atitudes viciantes que são vistas como positivas para a maioria das pessoas, sendo que na realidade não são. Por exemplo: você é uma pessoa que se mata de trabalhar para dar um boa condição material para a família, mas em decorrência disso não tem tempo de estar com os filhos ou com a esposa ou marido. Deixa de viver momentos preciosos ao lado deles para conseguir arcar com os custos do padrão de vida que foi estabelecido.

Esse é um exemplo clássico das pessoas que são chamadas de workaholics. Muitas delas são vistas como heróis ou heroínas pela sociedade, mas internamente quase sempre elas se sentem um fracasso nos outros setores da vida que não o profissional e financeiro.

As ações nobres segundo o Sêneca são aquelas que vêm do voluntariado. Eu faço porque quero e porque sei que é o melhor a ser feito. Para se conseguir isso é preciso acima de tudo um investimento constante e ininterrupto no autoconhecimento. No exemplo que dei sobre os workaholics, essas pessoas negligenciam vários setores importantíssimos da vida como saúde do corpo, família, amigos, lazer, espiritualidade etc. Isso está longe de ser o espírito do voluntariado proposto por Sêneca entende? Então não há nobreza em negligenciar tantas coisas que são vitais para nós…

Quero concluir esse texto relembrando um conceito belíssimo de ética que o Prof. Mario Sergio Cortella sempre traz em suas palestras e livros. Em tudo que formos fazer, precisamos nos basear em três perguntinhas básicas: “Quero? Posso? Devo?”. As ações voluntarias obrigatoriamente devem ter SIM para as três perguntas. Quero? SIM. Posso? SIM. Devo? SIM.

O Cortella costuma dizer que tem coisas que quero, posso, mas não devo. Outras eu devo, quero, mas não posso… e por aí vai! Se gera conflitos internos, então o melhor é não fazer.

Parece simples, mas na realidade esse é um exercício bastante exigente e como falei, requer um mergulho constante no autoconhecimento.

Vamos juntos nos esforçar para ter ações nobres? Ações pautadas numa vontade inabalável? Esse é o caminho para se alcançar maior plenitude na vida…

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Nós somos o que fazemos repetidamente

Por Isaias Costa

“O hábito e a aptidão são confirmados e se desenvolvem em suas ações correspondentes; andar por andar e correr por correr […] Portanto, se queres fazer alguma coisa, transforma-a num hábito. Se não queres fazer tal coisa, não o faças, mas adquire algum outro hábito em vez disso. O mesmo princípio está em funcionamento em nosso estado mental. Quando ficas irritado, não estás apenas experimentando esse mal, mas também reforçando um mau hábito, acrescentando combustível ao fogo.”

Epicteto

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Construir bons hábitos é uma das melhores coisas que podemos fazer na nossa vida. Você certamente já ouviu inúmeras vezes que todo hábito se constrói por repetição não é mesmo? E talvez até já tenha lido ou ouvido falar que precisamos de no mínimo 21 dias seguidos para consolidar um novo hábito! Quero já de início fazer uma ressalva. As coisas não são tão preto no branco assim como aparenta viu?

Dependendo da nossa força interior e determinação, às vezes precisamos de menos de 21 dias para construir um novo hábito, da mesma forma que algumas coisas às vezes estão tão enraizadas de um jeito que 21 dias não é o suficiente. Mas independentemente do número de dias, é um fato o que diz a frase do grande Aristóteles e que intitula esse texto: “Nós somos o que fazemos repetidamente”.

Ele nos deixou esse registro há 2300 anos, porque será que até hoje a maioria de nós não utiliza essa sabedoria a nosso favor? Cada vez mais eu venho constatando na minha própria vida e caminhada algo que talvez incentive, traga um pouco de motivação pelo menos para alguns que lerem esse texto. Se chama “bem estar”.

“Bem estar” o próprio nome já diz, é estar bem no aqui e agora, vivendo plenamente o momento presente.

Vou trazer um exemplo bem caricato pra que você entenda a minha linha de raciocínio. Infelizmente, é um consenso na nossa sociedade que tomar bebidas alcoólicas é algo lícito, absolutamente permitido, desde que depois de beber você não dirija, obviamente! Por inúmeras razões que não conseguiria trazer aqui, por serem quase infinitas, as pessoas bebem, muitas se embriagam, perdem total a noção e até mesmo a consciência, e sem perceber direito estão se tornando alcoólatras.

O prazer que é proporcionado pelas bebidas existe, claro! Senão não haveria tanta gente bebendo não é? Porém, existem “n” maneiras de alcançar um prazer físico semelhante ao proporcionado pelas bebidas e, detalhe ok? Na realidade é possível atingir prazeres absurdamente maiores sem elas!…

É aqui que quero chegar! Podemos construir novos hábitos em cima dos velhos que não estejam nos fazendo bem entende? Com esse exemplo, quero deixar bem claro que não estou dizendo para você parar de beber! Estou dizendo apenas que tome cuidado para que isso não se torne um vício, porque uma vez o vício instalado, fica mais difícil se libertar!

Eu não gosto de bebidas alcoólicas. O máximo que tomo é aqui acolá uma taça de vinho ou de champanhe, pois sinto prazeres físicos muito maiores e melhores sem elas. Por exemplo, eu amo ouvir boas músicas, amo conversar e estar 100% presente para ouvir quem está comigo, amo fazer atividades físicas, amo dedicar momentos a contemplar a natureza, caminhar na beira da praia ou ir para lugares mais arborizados e naturais etc.

Esses bons hábitos me conectam com a minha essência e me fazem não ter o menor desejo por bebidas alcoólicas.

Esses hábitos foram construídos ao longo de muitos anos, não foi algo do dia pra noite. Quero inclusive pontuar as atividades físicas. Elas liberam tantos hormônios do prazer e bem estar que acabam se tornando uma espécie de “vício bom” sabia?

Quando passo uns 2 dias sem correr ou jogar basquete, que são os meus esportes favoritos. Me dá um “comichão” como se diz popularmente! Eu fico numa inquietação para correr e me movimentar. Isso é maravilhoso! Percebe como isso é uma questão de hábito? Eu sempre reservo um tempinho do meu dia para isso. E como consequência, a cada dia a minha saúde está melhor!

O Epicteto traz o exemplo da raiva. Se ficamos com raiva dia após dia, esse se torna nosso padrão. Vamos nos tornando pessoas ranzinzas. Que tal em vez de raiva alimentarmos a gratidão? Já escrevi inúmeras vezes por aqui que a gratidão é um dos sentimentos mais elevados que podemos desenvolver.

Já começar o dia agradecendo por estar vivo, por ter tido uma boa noite de sono, por ter uma cama confortável para dormir, por ter uma casa para morar, por ter sempre a possibilidade de se alimentar, por ter um trabalho, por ter uma família, por ter bons amigos etc. etc. Só o que não falta são motivos para agradecer. Dessa forma vamos construindo mais esse excelente hábito!

Vamos juntos construir bons hábitos? E assim sermos uma melhor versão da gente mesmo a cada novo dia?…

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P.S. Podcast com breves reflexões a partir desse texto. Nele eu trouxe muitas outras ideias interessantes. Confira!

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Black Friday: compramos por necessidade ou por vício?

Por Isaias Costa

blackfriday

No mês de novembro existe o famoso “Black Friday”, dia no qual supostamente os preços são irresistíveis e as promoções são imperdíveis.

Estava refletindo sobre o porquê de esse dia (no caso do Brasil é o mês todo) ser tão badalado. Falar sobre isso dá pano pra manga. Já adianto que esse pequeno texto está longe de encerrar as argumentações e aprofundamentos possíveis.

Em minha opinião, o sucesso do Black Friday se dá porque as pessoas nunca estiveram tão infelizes e afastadas do seu centro interior. Sempre reitero nos meus textos que a felicidade não é algo que vem de fora, não é algo que cai do céu. Ela sempre esteve e está dentro de nós mesmos, só precisa ser desvelada, ou seja, precisa ser retirado o véu que nós mesmos colocamos.

=> Clique aqui para ler o texto completo

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Alegrias tristes e tristezas alegres

Por Isaias Costa

felicidade-tristeza

A grande maioria das pessoas têm uma tendência a enxergar as coisas de uma forma muito limitada e reducionista, por diversos motivos, mas o que acredito ser o principal deles é a falta de autoconhecimento.

Quando falamos em felicidade, o mais comum é pensar que ela é algo para ser buscado. O engano já começa daí, porque a felicidade não se busca, pois ela é um estado do ser. Da mesma forma que a infelicidade bate à nossa porta muitas vezes de forma que não podemos mandá-la embora.

De um modo geral fazemos algumas associações bastante reducionistas, como associar felicidade com alegria e infelicidade com tristeza, o que, se você observar com um pouco mais de atenção e detalhamento, muitas vezes não se verifica.

É possível SIM, estar feliz em momentos de tristeza, assim como estar infeliz em momentos de explosão de alegria e gozo.

Quero levar você a refletir junto comigo sobre essas sutilezas a partir de alguns exemplos.

Digamos que você desenvolveu algum vício como bebidas alcoólicas em excesso, drogas, sexo, exageros de comidas, compras etc.

De um modo geral, os vícios são a prova de que há conflitos internos na pessoa, de que ela em algum setor da vida está infeliz, e o vício é uma tentativa de preencher esse vazio que foi construído ao longo do tempo.

Em muitos desses casos, a pessoa se sente alegre, mas está profundamente infeliz, portanto, existe uma tristeza envolvida.

Eu posso ficar extasiado ao puxar um baseado, ou beber uma garrafa de uísque. Posso ficar muito zen fumando maconha, posso achar que sou o cara mais felizardo do mundo porque consigo transar com várias garotas, ou porque tenho a possibilidade de comprar tudo que quiser, porque a conta bancária do meu pai é “sem fundo”.

Em todos esses exemplos e muitos outros existe um vazio difícil de ser preenchido, vazio este que seria maravilhoso que a pessoa buscasse algum tipo de terapia, não importa qual seja. Hoje em dia, com o acesso ilimitado à internet, existem materiais incríveis e gratuitos, que podem lhe ajudar a mergulhar fundo no autoconhecimento. Esse próprio blog, está repleto de textos profundos e reflexivos, cabe a você ter a curiosidade de ir além do agora, como o próprio nome do blog sugere…

Esses são apenas alguns exemplos de alegrias tristes.

Da mesma forma que existem tristezas que por detrás carregam uma alegria absurda.

Um dos melhores exemplos são os lutos de relacionamentos amorosos. Você se sente como se o mundo fosse acabar, como se o chão fosse retirado e você caísse num abismo sem fim. Mas essa é uma dor e tristeza terapêutica, porque faz com que você retire de si uma ILUSÃO, é como sempre gosto de dizer: a desilusão é uma benção, uma dádiva. E você pode ler com mais profundidade nesse texto [aqui].

Você chora dias seguidos, fica um “bagaço”, como se costuma dizer, mas depois que você espreme toda a dor e desse bagaço não sobra mais nada, começa a surgir uma pessoa muito mais forte, muito mais consciente, muito mais viva e muito mais desejosa de ter um novo relacionamento cheio de novas vivências e experiências.

Existe uma alegria muito frutuosa nessa tristeza, que infelizmente são poucos os que conseguem enxergar. Estou com esse breve texto levando você a refletir um pouco mais sobre esse tema lindo e universal que são os relacionamentos amorosos.

Aproveito também para compartilhar um áudio bem bacana que gravei para falar exclusivamente sobre o luto nos relacionamentos amorosos. Vale a pena conferir…

Outro exemplo interessante são as pessoas que tiveram doenças gravíssimas e que tiveram que ficar meses ou mesmo anos prostradas numa cama com a certeza de que nunca mais poderiam sair dali. Elas sofrem imensamente e as famílias mais ainda porque precisam dividir a responsabilidade do cuidado entre várias pessoas e em alguns casos recai a responsabilidade sobre uma única pessoa, que passa a viver em função da que está doente.

Em muitos desses casos, quando a pessoa desencarna, há logicamente um luto pela morte da pessoa, mas ao mesmo tempo vem uma profunda alegria por saber que todo o sofrimento que ela vivia foi cessado pela morte.

Esse é um exemplo perfeito de alegria triste. A tristeza vem, mas carregada pela alegria de saber que a outra pessoa não está mais sofrendo. A felicidade e a infelicidade se misturam de uma maneira linda e inexplicável.

Portanto! Que a partir desses poucos exemplos, você aprenda que não podemos ser reducionistas e simplistas para falar sobre o tema profundo da felicidade e da infelicidade.

Essa é uma temática que cabe muito bem a conhecida frase de Shakespeare: “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”.

Pense com carinho sobre tudo isso a aprenda com as alegrias tristes e tristezas alegres a ser uma pessoa cada vez melhor e mais consciente…

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Eu estou há tantos dias limpo…

Por Isaias Costa

cocaina

Esses dias estava ouvindo uma vídeo aula muito interessante com o psicólogo Vitor Antenore Rossi na qual ele falava sobre o poder imenso dos nossos pensamentos aliando isso com a nossa vontade.

Em determinado trecho da aula ele citou os viciados em drogas que entram num processo de deixarem o vício e uma expressão comumente falada por eles.

A expressão é a seguinte: “Eu estou há tantos dias limpo…”.

Ele explicava que na nossa sociedade que se baseia em números, no esforço de vencer o vício no dia após dia, na velha questão do “só por hoje” etc. praticamente ninguém pensa que essa frase não é a mais próspera nem a mais adequada de se dizer.

Porém, venho lhe levar a refletir sobre uma questão que é muito mais profunda e está por trás de tudo isso. Se chama VONTADE.

Os físicos quânticos já nos provaram por A + B que o tempo é absolutamente relativo e tudo aquilo que está relacionado com o tempo, obrigatoriamente está conectado com o pensamento e com nossos processos mentais!

A prova concreta disso é observar os animais. Eles não estão nem um pouco interessados de saber se hoje é segunda-feira ou sábado. NÃO. Eles só sabem viver o aqui agora. Ele nem consciência da morte têm! Para eles a vida simplesmente é. Num belo dia morrerão e ponto.

Mas por que estou falando tudo isso? Para lhe dizer que pensar sobre um vício em termos de tempo é UM TIRO NO PÉ. Por mais que você seja esforçado e esteja dando o melhor de si para não mais ter recaídas quanto a algum vício. Se você ficar contando os dias, as horas, os minutos, depois que se decidiu por parar com ele, essa é uma prova cabal de que a VONTADE ainda existe e de alguma forma está sendo reprimida!

Era mais ou menos essa a questão levantada pelo Vitor Antenore. Quero deixar bem claro que entre você ficar contando os dias que está limpo e simplesmente não fazer nada com relação ao vício, é ÓBVIO, repito, é ÓBVIO que é muito melhor proceder dessa maneira!

Porém, se você de fato quer se CURAR, e digo c-u-r-a-r com todas as letras. Não precisa você ficar contando os dias, as horas e os minutos, porque houve dentro de você uma TRANSFORMAÇÃO, entende?

Se você se decidiu por se transformar, porque tem consciência plena de que determinado vício pode ser autodestrutivo, você não vai ficar se prendendo em questões de tempo. Você na realidade nem vai mais pensar a respeito! Cada vez que você pensa em algo está jogando energia naquilo. Então é um fato que as pessoas que decidiram parar de se drogar e ficam contando os dias limpos, estão ANSIOSOS.

Elas vivem através da frase: “Por hoje não”, ou também com a clássica: “O que os olhos não veem o coração não sente”.

Só é possível dizer que uma pessoa de fato de CUROU do vício quando ela é colocada FRENTE A FRENTE com ele outra vez. Se ela não sentir a menor VONTADE de fumar outro cigarro de maconha, inalar um papelote de cocaína ou injetar heroína nas suas veias etc. Então esse indivíduo nunca mais vai precisar contar os dias para nada, porque aquilo deixou de ter importância. Aquilo morreu completamente e está no passado!

Enquanto você conta os dias existe uma espécie de FANTASMA que lhe persegue e fica sempre à espreita só esperando por uma recaída sua!

Por essas e outras que é tão importante que a pessoa busque um auxílio psicológico e também espiritual, porque isso ajuda a dar forças psíquicas e emocionais e ajuda a pessoa a configurar um novo estilo de vida completamente diferente!

Essa mesma contagem de dias pode ser levada para todo e qualquer vício como compras em excesso, comer porcarias, tomar bebidas alcoólicas em excesso, assistir televisão demais, mentir, trair um(a) namorado(a) etc. etc.

Essa contagem de dias está muito relacionada com nosso sistema de recompensas que vem do EGO. Procure você entender bem esse mecanismo para não cair em mais uma armadilha do ego.

A pessoa diz: “Estou há um ano limpo”, quase sempre esperando congratulações, mas se ela pensar com carinho, vai perceber que se trata da sua vida e seu bem estar. O que os outros pensam é o que menos importa, mas o seu bem estar e equilíbrio é o que mais importa!

Portanto! Procure acolher essa mensagem e levar para sua vida em primeiro lugar e só depois, em conversas com amigos levante essa perspectiva que certamente pode ajudar muitas pessoas a despertarem mais a consciência e um sentido pleno para a vida…

Paz e luz.

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Um verme no uísque

Por Isaias Costa

_2270471Outro dia eu uma pequena estória no livro “O sucesso é ser feliz”, do Roberto Shinyashiki, muito interessante e que pode nos levar a boas reflexões.

“Há a história de um médico que fazia uma palestra a um grupo de alcoólatras. Ao iniciar a apresentação disse:”Hoje vou realizar uma experiência para mostrar a vocês o efeito do álcool”. Levantou um copo e afirmou: “Aqui dentro há álcool”. Com uma pinça, pegou um verme, mostrou-o para a platéia e o soltou dentro do copo. Imediatamente o verme se desfez, causando impacto nos presentes. Em seguida, ele levantou outro copo e disse: “Aqui dentro há água”. Novamente pegou outro verme e o soltou dentro do copo. O verme se mexeu, mostrando a sua energia. Nesse momento, no meio da platéia, um indivíduo embriagado levantou a mão e, com voz pastosa disse: “Entendi bem o que o doutor quis dizer, e concordo inteiramente. Sua mensagem é sensacional”. Feliz, o médico pediu: “Por favor, diga em voz alta, para que todos escutem, qual é a minha mensagem”. Solícito, o indivíduo declarou: “Doutor, o senhor acabou de mostrar com essa experiência que quem bebe não tem verme no organismo!”

Essa pequena estória serve para nos ensinar que os seres humanos só entendem aquilo que querem entender. Quando alguém quer no ensinar algo no qual não estamos dispostos a mudar, acatar ou aprender, de nada adianta! Podemos ter o melhor professor, o melhor palestrante, o melhor psicólogo, o melhor livro, o melhor curso, e nada, nada fará com que qualquer tipo de mudança aconteça. Essa estória conta isso, mostra muito claramente através de um experimento que as bebidas alcoólicas fazem muitos mal ao organismo e devem ser evitadas, porém, o homem bêbado representa uma pessoa viciada que não abre mão do vício sob hipótese nenhuma.

Lendo essa estória eu me lembrei do quanto eu, como escritor, posso ser mal interpretado. Procuro sempre me expressar da forma mais clara e objetiva possível, mas tenho certeza absoluta que tem determinados textos que algumas pessoas leem e simplesmente não querem entender, porque aquilo que estou dizendo e propondo está longe de ser o que elas querem para si. Eu fico até pensando no quanto seria interessante se muitos leitores colocassem em prática no dia a dia aquilo que proponho, seria incrível, mas sei que muitas vezes isso não acontece, devido às distrações, o desinteresse, o medo, as prisões de pensamento, os hábitos, os vícios, entre muitas outras coisas. Quem sabe com esse texto de hoje eu desperte algo diferente em algum leitor? Eu procuro estar sempre mudando, escrevendo de um jeito novo, mostrando algo que eu mesmo me surpreendi. Veja só o título desse texto! “Um verme no uísque”. Eu não bebo nem cerveja, quanto mais uísque! Mas estou escrevendo sobre bebidas alcoólicas para fazer você pensar um pouco e extrair algo que sirva para você.

Tente aprender um pouco com tudo e com todos! Essa é uma lição de vida e sabedoria. Não ache que você tem verdades absolutas, porque definitivamente não tem. Evite aprender ou acatar apenas aquilo que ache conveniente. Busque mais, explore o mundo, veja as infinitas possibilidades que estão aí, na ponta do seu nariz. Ouse! Voe alto! Seja criativo! Queira ser uma pessoa cada vez melhor. Pode ter certeza que você pode ser! Lute por isso!

Se quiser ler um pouco mais sobre esse tema, vou deixar um texto que escrevi falando sobre as interpretações, que “cada um entende como quer”, ele tem tudo a ver com o que expliquei neste texto..

Cada um entende como quer

 

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Por que Raul Seixas e Paulo Coelho se drogavam tanto?

Por Isaias Costa

raul seixas e paulo coelho artedoserrados.blogspot.comMuitas pessoas não gostam nem do Raul Seixas nem do Paulo Coelho por causa dos seus envolvimentos com drogas ou de suas tendências místicas. Para muitos isso é uma tendência satânica e que deve ser desprezada. Farei uma breve reflexão sobre esse lado destes dois artistas que é tão mal compreendido, e procurarei mostrar da forma mais simples possível que eles eram assim exatamente porque não houveram caminhos claros para que fossem diferentes.

O que me inspirou a escrever esse texto foi uma entrevista que assisti, na qual o convidado era o ilustre Frei Betto. Durante a entrevista ele disse uma frase que me fez refletir bastante: “Todo drogado é um místico em potencial”. Em seguida ele foi explicar o porque desta frase.

=> Clique aqui para ler o texto completo

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Nossas válvulas de escape

Por Isaias Costa

Tenho pensado bastante e observado o estilo de vida da maior parte das pessoas. No meio dos meus pensamentos tive um insight que pode doer em algumas pessoas, mas tenho que expressá-lo. Todos nós, absolutamente todos nós, buscamos algum de tipo de válvula de escape para aliviarmos nossas tensões tão frequentes, nossas angústias, nossos medos, nossas incompletudes, nossa solidão etc. Cada um busca sua própria válvula, algo que possa dar um prazer momentâneo ou um sentimento de propósito. Vou citar alguns exemplos.

O acúmulo de tensões

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Empresários bem sucedidos. Muitos deles têm angústias terríveis e diversas tais como: perderem o patrimônio, não terem o amor dos filhos, morrerem de repente e ter que deixar seu dinheiro com alguém que ache que não merece etc. etc. Uma das válvula de escape mais comuns é trabalhar mais para ganhar mais dinheiro e serem ainda mais reconhecidos na sociedade como grandes. Isso vale a pena? Será que vale? Já percebeu o quanto a nossa sociedade valoriza as pessoas que produzem mais e por isso ganham mais? Pense um pouco sobre isso…

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Negociantes de imóveis. Conheço um caso real de uma pessoa que investe muito tempo e dinheiro com imóveis, ganha um ótimo dinheiro com isso, mas usa esses investimentos como válvula de escape para as frustrações de não ter o carinho que gostaria de ter dos seus filhos. Tudo o que ele queria era ter mais tempo em suas presenças e a alegria do carinho, dos abraços, beijos, diálogos… Como não tem passa muito tempo investindo mais e mais em imóveis. Será que isso pode dar um sentido mais profundo para a vida e a existência? Dei esse exemplo com a certeza de que não é um caso isolado. Sei que muita gente vive o mesmo drama, muitas vezes em silêncio…

Viciados em bebibas, fumos, drogas e sexo. Quase todos os viciados nesses itens citados estão cheios de lacunas interiores, a grande maioria ainda da infância e que nunca foram bem trabalhadas, até que se chegou a vida adulta e se percebe que a vida é muito mais dura que os sonhos de criança nutriam. Normalmente as pessoas que se viciam têm um coração extremamente bondoso, mas não têm alguém que escute seus mais profundos sentimentos, medos, anseios. Alguém que incentive a seguir o caminho do coração. Esse tema é delicadíssimo e não vou me estender, pois precisaria aprofundar diversas coisas. Deixo abaixo um texto que escrevi recentemente falando sobre as drogas, e traz um pouco dessa reflexão.

Luzes em pó

oração

Pessoas que rezam muitos terços, fazem penitências religiosas, vão a grupos e seitas. Muitas delas vão porque sentem um profundo vazio interior por não serem felizes em seus trabalhos, ou na família, ou mesmo no campo espiritual. Rezam muito pedindo que Deus opere um milagre, que ganhe mais dinheiro, que Deus mande um amor pra vida toda, que mande um emprego dos sonhos, que ajude a melhorar o relacionamento com os pais ou irmãos… será que é por aí mesmo? Deus é comércio por acaso? Para ficar barganhando nossas vontades, desejos e sonhos? Eu conheço tanta gente que afoga suas mágoas e incompletudes na igreja, mas no fundo elas mesmas sabem que estão seguindo um caminho sem um sentido mais profundo. Onde estará esse sentido? Onde?…

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Políticos e afins. Todos sabemos que o universo dos políticos é repleto de falcatruas, roubos e mentiras. Infelizmente, roubar e desviar verbas públicas é a válvula de escape de muitos políticos. Eles fazem isso para se tornarem mais ricos financeiramente, porém, o que acontece é exatamente o contrário, eles vão se tornando cada vez mais pobres. Talvez você já tenha lido aquela frase que diz: “Ele era uma pessoa tão pobre, tão pobre, mas tão pobre, que a única coisa que ele tinha era dinheiro”.

Não é simples analisar o comportamento dos políticos, mas se você prestar atenção na genealogia deles, perceberá que quase todos são de famílias envolvidas com política. O que acontece é que os pais simplesmente ensinam aos filhos o que são, ensinam seus valores distorcidos e sua ética desumana. O que acontece é que esse mal vai se alastrando de geração em geração, sendo que a raiz do problema está na educação dos valores lá na antiguidade das famílias, na falta de amor substituída pelo dinheiro…

Um mundo governado pelo dinheiro

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Viciados em títulos acadêmicos, em cursos, em aperfeiçoamentos. Esse ponto é bem delicado e vou explicar com calma para que entenda. Não estou dizendo que é ruim se aperfeiçoar, pelo contrário, é ótimo, eu mesmo busco sempre estar me aperfeiçoando, aprendendo mais coisas. O que é ruim é usar a busca por conhecimento como um válvula de escape para sentimentos principalmente de inferioridade. Não sei você, mas já reparou que existem muitas pessoas que adoram dizer: “Eu sou doutor pela Universidade X, tenho especialização nisso e naquilo, fiz curso tal, falo tais e tais idiomas…”. E daí? Você é só isso? Sabe aquela perguntinha que todos fazem: “Quem é você?”, e todos respondem: “Eu sou fulano. Trabalho com isso, sou formado naquilo…”. Isso não é o “Quem é você?”, isso é “O que você faz?”, é muito diferente. A primeira pergunta é tão difícil de responder e penetra tão fortemente em nossa interioridade que buscamos nossa válvula de escape através do que fazemos e não do que somos.

Pergunte a mim: “Isaias, quem é você?”. Eu não sei dizer com certeza, mas sou um ser humano que está construindo sua vida dia após dia, que cai, levanta, sofre, ama, chora, se entristeçe, se alegra, tem um turbilhão de sentimentos muitas vezes inexplicáveis etc. Esse sou eu, alguém que está se construindo e descontruindo o tempo todo. Sou como uma escultura que está sendo lapidada pelas alegrias e tristezas…

A escultura chamada ser humano

Eu tenho minhas válvulas de escape sabia? Todos temos! Muitas vezes, escrever é uma válvula de escape. Quando minha mente está um turbilhão, é quase um alívio colocar em palavras escritas o que se passa na minha mente. Às vezes quando estou triste e magoado acabo escrevendo textos carregados de emoção e que, por incrível que pareça, toca mais as pessoas do que outros. Um exemplo é esse aqui embaixo, que escrevi com o coração despedaçado. Falei sobre o dia em que presenciei um quase linchamento em pleno dia. Uma expressão da violência urbana e do ódio das pessoas…

A primeira pedra

Falei apenas sobre essas válvulas de escape. Pois é, elas existem, são reais e você sabe muito bem disso. Pense um pouquinho nas suas…

Agora sabe o que muitos falam, mas falam só da boca pra fora ou só para vender, ou ganhar dinheiro, ou serem bem vistas. O AFETO. Se você prestar bem atenção nos exemplos que dei e nas pessoas, vai perceber que o que falta de verdade é afeto. Se as pessoas simplesmente amassem a si mesmas e aos outros, não precisaríamos de nada disso. Não precisaríamos de religiões, nem criar muitas empresas, com imensos networks, com franquias etc. Não precisaríamos trabalhar até ficar doentes e com o coração amargo. Não precisaríamos mostrar todos os nossos títulos para dizer que somos competentes…

Eu sonho em ver esse mundo que não tenha nenhum tipo de condicionamentos. Que as pessoas simplesmente amem, vivam felizes através do amor. No fim das contas, é só isso que importa. Pense nas experiências que mais marcaram sua vida! O cerne destas experiências está ligado a coisas ou a pessoas? Acho que nem preciso responder, não é mesmo!

Essa é uma discussão que poucos tem coragem de fazer, porque mexe com os nossos mais profundos sentimentos, mexe com nossas sombras, com aquilo que queremos esconder, mas a própria vida nos revela.

Para terminar. Deixo algumas palavras do místico oriental Osho. Palavras que tomo como uma profecia. Esse mundo que ele sonhava é o mesmo que eu sonho que um dia venha a existir. Se você que leu até aqui buscar introjetar pelo menos um pouquinho do que aqui foi dito já pode ser parte desse novo mundo que pode ser construído. Um mundo que mais uma vez repito, só será construído se estivermos movidos pelo amor, pelo verdadeiro amor, um amor puro, universal, transcendente…

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“Eu sou um anarquista de uma categoria totalmente diferente daquela de todos os anarquistas que já existiram sobre a face da terra.

Sou uma categoria composta de mim mesmo, pois o meu enfoque é completamente diferente.

Não sou contra o governo, sou contra a necessidade de governo.

Não sou contra os tribunais, sou contra a necessidade de tribunais.

Algum dia, em alguma época, vejo a necessidade de o homem ser capaz de viver sem nenhum controle — religioso ou político — pois ele será uma disciplina em si mesmo.

Existem muitos tipos de liberdade – a social, a política, a econômica -, mas elas são apenas superficiais.

A verdadeira liberdade tem uma dimensão totalmente diferente. Ela não diz respeito ao mundo exterior, nada disso; ela emerge da nossa interioridade.

Trata-se da liberdade com relação ao condicionamento, a todos os tipos de condicionamento, às ideologias religiosas, às filosofias políticas.

Todos eles têm sido impostos por outras pessoas sobre você, têm agrilhoado você, acorrentado você, aprisionado você, têm feito de você espiritualmente um escravo.

A meditação nada mais é do que destruir todos esses grilhões, condicionamentos, a destruição de todas as prisões, de modo que você possa ficar novamente sob o céu, sob as estrelas, ao ar livre, disponível para a existência.”

Osho

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Luzes em pó

Por Isaias Costa

cocaina

Outro dia eu li uma frase bem pequena, mas que me levou a refletir bastante e escrever sobre um tema que até o momento ainda não tinha escrito, as DROGAS. A frase é a seguinte:

“As pessoas falam tanto em deixar um planeta melhor para as suas crianças, mas se esquecem de deixar melhores crianças para esse planeta.”

Thrangu Rinpoche

Mais uma vez eu volto àquela questão do viver o hoje, o momento presente. A maior parte das pessoas se projeta o tempo todo no futuro ou se prende a uma passado morto e cheio de mágoas e ressentimentos. Se as pessoas verdadeiramente vivessem o hoje em sua plenitude, com certeza elas deixariam melhores crianças para esse planeta. Elas cresceriam mais felizes e equilibradas, fariam este mundo se harmonizar e, como consequência, milhares de vícios seriam eliminados, entre eles, o vício das drogas.

O que leva uma pessoa a se tornar uma viciada em drogas? Essa é a questão crucial e que leva a reflexões complexas e profundas.

Um dos motivos e, acredito que seja o principal, é o desequilíbrio da família. Um jovem não procura o mundo das drogas por querer se aventurar, ou porque quer ser um rebelde, não! Um jovem procura as drogas por ter lacunas dentro de si e que não consegue preencher com mais nada, porque não tem como fazer isso. Ele está carente de amor, de afeto, de espiritualidade, de boas amizades, de boas referências, de alguém que acredite nos seus talentos, de alguém que lhe inspire a ser alguém melhor e ajude a enxergar o mundo com olhos mais profundos etc. Há uma sede por amor e sentido de vida, há um desejo de encontrar luz onde só reinam trevas. Perceba de onde vem a maior parte dos drogados não só do Brasil, mas do mundo inteiro. Eles vêm de periferias, dos lugares mais pobres, onde faltam recursos e orientação para os estudos, para o desenvolvimento profissional, orientação religiosa e espiritual, práticas esportivas etc. Esses lugares são cheio de pessoas que perderam quase que completamente a esperança na vida, o que leva os jovens a buscarem essa luz que tanto necessitam em prazeres doentios e deletérios como as drogas.

Intitulei este texto como “luzes em pó”, porque é exatamente isso que a droga faz com um usuário. Ela faz com que a pessoa enxergue uma luz naquele pó branco. Porém, essa luz é falsa. A pessoa sente euforia, força, relaxamento, êxtase, e uma série de outros efeitos, que duram minutos ou horas, em pouco tempo tudo volta a ser como antes da ingestão, mas deixando um rastro chamado DEPENDÊNCIA. As drogas interferem diretamente no cérebro, em suas zonas de recompensa, fazendo com que o usuário crie dependência. O que fazer? Essa é uma pergunta bem difícil. Depois que o vício está instalado, é preciso primeiro ter fé que o usuário um dia conseguirá se libertar do vício. Depois é tentar orientá-lo de alguma forma no caminho de libertação. Não é fácil! Mas acredito que o principal caminho é o que vem na frase que iniciou este texto: deixar filhos melhores para o mundo. Buscar primeiro ser alguém reto e virtuoso, para assim, saber educar bem os filhos e orientá-los da melhor forma possível, para que cresçam como cidadãos éticos e de bom caráter. A raiz de todos os problemas que envolvem drogas está na educação, primeiro, da família e segundo, da educação formal (escolas, cursos etc).

A educação em todos os níveis ainda é extremamente precária no nosso país, e isso gera desequilíbrios sem precedentes. Eu sonho em ver este país mais desenvolvido intelectualmente, espero que este dia chegue, mesmo que eu não esteja mais por aqui para ver.

Quero concluir deixando uma das músicas que expressa de forma muito inteligente a origem do vício das drogas. Esse vício se origina da falta de orientação e de pessoas que escutem os dramas pessoais dos que entram por esse caminho. Trata-se da música “Tem alguém aí?”, do Gabriel, o pensador. O refrão dessa música tem alguns questionamentos que passam na mente de todo e qualquer drogado:

Ninguém tá escutando o que eu quero dizer!
Ninguém tá me dizendo o que eu quero escutar!
Ninguém tá explicando o que eu quero entender!
Ninguém tá entendendo o que eu quero explicar!

Escute essa música com bastante atenção e assimile lá no fundo da sua alma e do seu coração a frase do início deste texto: “As pessoas falam tanto em deixar um planeta melhor para as suas crianças, mas se esquecem de deixar melhores crianças para esse planeta.”

  • Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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As escolhas da vida- Parte 1

Por Isaias Costa

A nossa vida é feita de escolhas. Desde o momento em que somos gerados, existe uma escolha de uma ordem que transcende a do ser humano e que nos dá os pais que temos. Eu vou me estender um pouco mais porque se trata de um tema extremamente amplo e multifacetado.

A vida pode ser muito diferente a partir do momento que tomamos consciência da dimensão das escolhas. Vou falar apenas de algumas delas.

No campo familiar. Nós podemos escolher os ensinamentos que colocaremos em prática na vida. Temos um pai e uma mãe e seus ensinamentos são levados conosco por toda a vida, o máximo que pode acontecer é que os reeditemos. É importante frisar que NADA passa despercebido pelo ser humano. Todas as experiências vividas desde a mais tenra infância ficam arquivadas em maior ou menor grau no cérebro. Isso tem uma relação muito profunda com os TRAUMAS, que é algo que vou falar na parte três deste post. Também podemos escolher ser bons filhos ou não. A obediência aos pais é uma grande dádiva. Eles nos colocaram no mundo e têm várias autoridades sobre nós, autoridade de pai e mãe, financeira, educacional, emocional e até mesmo espiritual. Eu acredito que a importância da obediência aos pais vai muito mais além do mero respeito, é algo que molda a nossa personalidade.

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No campo das amizades. Todos conhecem a máxima: “Diga-me com quem andas e te direi quem és”. Realmente acontece dessa forma. A partir das amizades vamos criando nossos VALORES e IDEAIS. Se estas amizades nos levam a sermos pessoas melhores, cada vez mais seremos pessoas melhores, o contrário da mesma forma, influências negativas vão fazendo de nós pessoas pequenas. É muito importante observar a infância e adolescência, porque nessa fase da vida as amizades também colaboram para a solidificação da personalidade. O que está relacionado com tudo isso são os VÍCIOS. Grande parte dos vícios de uma pessoa é adquirida nesta fase, quando a personalidade ainda não está completamente formada e ela ainda é muito influenciável. O que digo é que se deve primeiro haver uma relação aberta entre a criança ou adolescente e os pais, para que saibam de toda a realidade que ele está vivendo. Normalmente aqueles que se tornam viciados em drogas vêm de famílias desestruturadas, onde não existe diálogo e uma boa relação afetiva entre os membros da família. Uma coisa que acontece precocemente nestas famílias é a PERDA DA AUTORIDADE DOS PAIS. Os filhos perdem o respeito e a admiração por eles porque os pais permitiram que isso acontecesse. Não orientaram os filhos como deveriam, tiveram dificuldade de lhes impor os limites, que são tão necessários para o desenvolvimento não só da personalidade, como também da noção do que é certo e do que é errado, do que lícito e do que é ilícito, do que é humano e desumano etc. Vou deixar dois links interessantes, um que fala sobre a origem do mal, que tem grande relação com os vícios, e outro que fala sobre a dimensão da amizade, que consiste simplesmente em si fazer o bem a outra pessoa.

Cortar o mal pela raiz

A ampliação do conceito de amizade- Parte 1

A ampliação do conceito de amizade- Parte 2

amizade2

No próximo post eu vou falar sobre outras dimensões da vida e suas escolhas. Até breve…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

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