Existe uma forma de transformar o passado

Por Isaias Costa

“Quando o Buda disse “Não persiga o passado” ele estava nos dizendo para não sermos subjugados pelo passado. Ele não quis dizer que deveríamos parar de olhar para o passado de forma a observá-lo em profundidade.

Quando revemos o passado e o observamos profundamente, se estivermos firmemente ancorados no presente, não seremos subjugados por ele.

Os materiais do passado que constroem o presente se tornam claros quando se expressam no presente. Podemos aprender com eles.

Se observarmos estes materiais em profundidade, podemos chegar a um novo entendimento sobre eles. Isto é chamado de “olhar novamente para algo antigo de forma a aprender algo novo”.

Se soubermos que o passado também está localizado no presente, entenderemos que somos capazes de mudar o passado ao transformar o presente.

Os fantasmas do passado que nos seguem no presente, também pertencem ao momento presente.

Observá-los em profundidade, reconhecer sua natureza e transformá-los, é transformar o passado.”

Thich Nhat Hanh

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As palavras desse sábio monge trazem reflexões profundas para nós. O que achei mais interessante no que ele traz é o contraponto com o que todos nós estamos cansados de ouvir, de que não é possível mudar o passado, só podemos fazer alguma coisa no momento presente.

Quando se fala que não é possível mudar o passado, é claro que estamos falando sobre as nossas AÇÕES. É impossível que mudemos a forma que agimos no passado, porém, é possível mudar a forma que olhamos para como nós agimos, a partir de um olhar de maturidade. Sabemos que hoje temos mais sabedoria, mais experiências, mais conhecimentos, mais conexões com pessoas etc. Tudo isso nos ajuda a ver o nosso passado com um olhar de transformação!

Todos nós aprendemos muito mais com os nossos erros do que com nossos acertos. É um fato! Às vezes até brinco que isso faz parte da nossa constituição mais profunda. Parece que não conseguimos enxergar um caminho de aprendizado mais tranquilo. De uma forma ou de outra, a dor e o sofrimento sempre se fazem presentes!

Mas está tudo bem! O barato da vida é não ficarmos nos chicoteando porque aprendemos somente depois de muita dor e sofrimento. O mais importante é aprender e crescer nesse processo! O Thich Nhat Hanh fala sobre esse olhar em profundidade para nos levar a refletirmos que existiram grandes lições, grandes pérolas em cada uma das nossas vivências do passado, e que nos encaminharam exatamente para onde nós estamos nesse exato momento.

Por exemplo! Às vezes é depois de um imenso sofrimento vivido por uma separação que aprendemos a nos amar com mais plenitude e depois de um tempo encontramos outra pessoa para nos relacionar e que preenche muita mais aquilo que buscamos em um parceiro ou parceira!

Às vezes é depois de passar por grandes perrengues financeiros que passamos a ver o dinheiro e como utilizá-lo de uma forma mais consciente, evitando gastos com supérfluos ou com coisas que sejam autodestrutivas como drogas, ou comidas mega processadas etc.

Às vezes é depois de passar por grandes frustrações com certas amizades que passamos a valorizar muito mais os verdadeiros amigos, aqueles que estão e continuarão conosco pro que der e vier, e por aí vai…

Se olharmos com profundidade, vamos perceber o tesouro escondido em tudo que vivenciamos no passado e podemos assim transformá-lo dentro de nós, na nossa conciência!

Reflita com carinho nas palavras do Thich Nhat Hanh e se possível até salve essas palavras para ler de vez em quando. A releitura de palavras profundas nos ajuda a internalizar mais e melhor aquilo que está sendo transmitido!

Paz e luz…

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A felicidade genuína está ligada à nossa capacidade de amar

Por Isaias Costa

“Amor, compaixão e preocupação pelos outros são verdadeiras fontes de felicidade. Se você tiver isso em abundância, você não será perturbado até mesmo pelas circunstâncias mais desconfortáveis. Se você nutrir o ódio, no entanto, você não vai ser feliz, mesmo no colo do luxo. Assim, se realmente queremos a felicidade, temos de alargar a esfera do amor.”

Dalai Lama

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Cada vez mais vemos as pessoas tristes, deprimidas, ansiosas, estressadas, com diversas patologias e diagnósticos de transtornos mentais etc. e muito disso decorre dessa falta de amor, compaixão e preocupação pelos outros.

Parece que com o avanço tecnológico, mais e mais as pessoas estão se transformando em ilhas. Pensando apenas em si mesmas, no próprio umbigo como se diz popularmente. Isso é absurdamente adoecedor, porque somos seres gregários e não canso de repetir isso aqui nos textos do blog.

Temos nossas dores e sofrimentos. Ninguém escapa deles… Nessa hora, acima de tudo, sabemos o quanto é importante termos o amor dos amigos e também dos familiares. É fácil a gente perceber que se sente muito melhor quando tem esse apoio. Mas para que isso aconteça, precisamos também ser amorosos, cuidadosos e atenciosos! É uma via de mão dupla. E claro! Saiba que não estou falando aqui sobre barganha, do tipo: “Vou ajudar o fulano porque assim, quando eu precisar, ele vai me ajudar também…”. Isso não é bacana! Esse tipo de atitude também revela uma grande dose de egocentrismo.

Ajudar simplesmente por ajudar é muito gratificante. Eu por exemplo, adoro ajudar através da escuta empática. Muitas vezes eu simplesmente fico ouvindo atentamente e acolhendo com amorosidade algumas pessoas que vêm até mim para desabafar seus sofrimentos. Eu me sinto muito bem em saber que nesses momentos eu fui uma presença que fez diferença na vida daquela ou daquelas pessoas!

E desse me sentir bem é que amplia a felicidade e o sentimento de propósito na vida. E o que deriva daí também é que vejo as minhas próprias dores e sofrimentos como oportunidades de crescimento.

Ao entrar em contato com o sofrimento das outras pessoas, vamos ampliando naturalmente o nosso amor, porque vamos entendendo que todos nós passamos por experiências muito semelhantes e podemos vencer! Nós pensamos: “Poxa! O fulano conseguiu superar aquela situação tão complicada. É claro que eu posso superar o que estou passando nesse momento também…”.

Esse breve texto é apenas um lembrete para que você seja empático, desenvolva o seu amor e a sua compaixão se conectando com as pessoas e procurando ser um canal de ajuda de alguma forma! Assim você estará contribuindo com a sua própria felicidade e também com a felicidade das pessoas que cruzem o seu caminho…

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A visão de Bert Hellinger sobre permanecer no amor

Por Isaias Costa

O verbo permanecer é, a meu ver, um dos verbos mais potentes da língua portuguesa. Algo que permanece é algo que se preserva com o passar do tempo, é algo que mesmo com as circunstâncias adversas, consegue seguir e não sucumbir. O verbo permanecer está de certa forma conectado a algo que tem força, que tem raízes, que tem vitalidade…

Lendo as palavras do grande psicoteraputa Bert Hellinger, fiquei um tempo refletindo sobre isso e venho nesse breve texto compartilhar a visão dele e trazer alguns insights bacanas!

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Permanecer no amor significa que tudo é amado da maneira como é, e que tudo é incluído na alma da maneira como é. Significa que concordamos com tudo como é e que amamos tudo como é, exatamente como é. Significa também que concordamos com a vida do jeito que ela é, exatamente como é: com a própria vida como ela é, com a vida alheia como ela é e com a criação, exatamente como é.
A luta também faz parte dessa vida. A vida de uma disputa o lugar com a vida do outro. Se permanecermos no amor, então também amamos isso: os opostos, a luta, a vitória e o fracasso, viver e morrer, os vivos e os mortos, o passado assim como foi, o futuro da maneira que vier, exatamente como vier. Nesse amor somos amplos e encontramo-nos em sintonia e acordo com tudo.
Este amor é a entrega ao todo. É a religião em sua essência. Neste amor somos plenos, serenos, podemos assistir a como tudo se desdobra, estamos entregues ao próprio destino e respeitamos o destino do outro e o destino do mundo. Estar entregue ao todo dessa maneira significa permanecer no amor.

Bert Hellinger

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É muito linda e profunda a maneira que ele enxerga o permanecer no amor. Só de ler essas palavras eu senti uma paz, uma leveza e uma tranquilidade imensa. É como se ele nos mostrasse que não precisamos carregar tantos pesos desnecessários. É trabalhar a aceitação! Lembrando que aceitação não tem absolutamente nada a ver com conformismo!

Faço questão de levantar esse ponto, porque um leitor desavisado pode pensar: “Ué? Mas se eu aceitar as coisas tais como elas são eu não terei poder algum para mudar coisa alguma?”. Quem pensa assim se engana redondamente sabia? Porque é exatamente o contrário. Se eu aceito as coisas tais como elas são, eu estou resgatando todo o meu poder pessoal e tirando da mão das outras pessoas o poder sobre mim. Não é interessante isso? Talvez até esse momento você ainda não tenha pensado sobre isso a partir desse ponto de vista!

O que o Bert diz no final é o mais potente de tudo. Ao permanecermos no amor, respeitamos a nós mesmos e respeitamos os outros também. E acima de tudo, não interferimos no destino delas e consequentemente não fazemos grandes desvios no nosso próprio destino!

Quanto mais o tempo passa e eu vou amadurecendo, percebo que grande parte das tranqueiras que atraímos para a nossa vida é porque queremos que as coisas aconteçam do jeito que a nossa mente barulhenta e nosso ego mimado quer que sejam. E logicamente que as coisas decididas pelo ego e pela mente desconectada do coração só podem nos levar a frustrações e mais frustrações…

Como diz aquela velha e famosa frase da música de pagode: “Deixa acontecer naturalmente…”. O que o Bert nos ensina é a por em prática desde as pequenas coisas esse fluir espontâneo e natural.

Cada vez mais eu venho buscando deixar que as coisas na minha vida aconteçam de forma espontânea e natural!

Quero inclusive abrir esse parênteses em relação aos textos aqui do blog. Esse texto publicado hoje tem um intervalo de alguns meses em relação ao último texto publicado. Comentar isso tem uma relação direta com a ideia desse texto e as palavras do Bert Hellinger.

Nos últimos meses minha rotina foi alterada de forma absurda. Comecei um novo trabalho que está me tomando muitas horas do dia. Dessa forma, é quase humanamente impossível ter tempo e inspiração para escrever textos novos. Inclusive até por conta do trabalho, estou lendo bem menos do que o meu habitual.

Tempos atrás eu me afligiria por não escrever com certa regularidade. Hoje em dia eu faço é rir de mim mesmo quando fico com essa verdadeira “noia” para escrever textos novos! Hoje eu entendo que não preciso disso. Só preciso deixar que as coisas aconteçam naturalmente, como diz a música de pagode!

Assim, posso escrever textos bacanas com reflexões que sei que podem tocar o seu coração como leitor!

Acho isso libertador e pode ser ampliado para as mais diversas áreas da vida. Quero lhe convidar a trazer essas reflexões para o seu próprio contexto de vida…

Eu quero cada vez mais permanecer no amor. Viver de forma leve e serena, seguindo o fluxo dos acontecimentos e acima de tudo, respeitando a vida e o destino de cada pessoa que cruze o meu caminho…

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Eu honro e aceito toda a minha vida até aqui

Por Isaias Costa

“Você já parou para refletir sobre essa frase? Ela tem a força de ativar a gratidão por tudo que você já viveu e propiciar ricos ensinamentos de tudo isso que já passou!
Lembre-se de honrar e agradecer seu passado. Aprenda com cada experiência e siga adiante, sem ficar julgando, condenando ou culpando alguém ou alguma coisa, ou até você mesma de alguma coisa que não aconteceu como se esperava. Honre e aceite seu passado. Aprenda com tudo que já aconteceu. Veja o passado com olhos de amor e compaixão, honrando e aceitando, para fazer escolhas cada vez melhores e uma vida cada vez mais maravilhosa de se viver!”
Taci Carvalho

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A frase que intitula esse texto tem um poder de nos conectar com a gratidão de uma maneira imensa! Ela me fez refletir bastante e decidi escrever esse breve texto com o intuito de também levar você a refletir sobre sua vida até aqui.

É muito compreensível nós termos mágoas e arrependimentos sobre as muitas besteiras e decisões erradas que tomamos na vida. Mas ficarmos nos chicoteando por causa das nossas más escolhas é uma estupidez, só vai nos fazer mal e nos colocar cada vez mais pra baixo.

Cada vez mais eu vejo as nossas escolhas e decisões ruins na vida a partir do nível de consciência que tinhamos na época entende? O Isaias de 1 ano atrás, 2 anos atrás, 5 ou 10 anos atrás, é muito diferente do Isaias de hoje, e quanto mais experiências eu vou tendo e mais vou absorvendo, melhores vão naturalmente se tornando minhas novas escolhas!

A Taci Carvalho costuma dizer nas suas palestras e lives que tudo vem para nossa vida como aprendizado e lições para evoluirmos e que a maior de todas as nossas missões nesse planeta Terra é a evolução como ser humano. Eu concordo 100% com ela e cada vez mais tenho levado essa gratidão para o meu dia a dia!

Inclusive eu vejo com bastante clareza hoje que várias das escolhas que me fizeram sofrer no passado me ajudaram a moldar o Isaias que sou hoje. Uma das experiências mais marcantes foi ter tido depressão em 2009 enquanto cursava Física na UFC.

Ter vivido na pele essa dor excruciante me fez desenvolver muito mais a sensibilidade e hoje em dia consigo me conectar de alma pra alma com as pessoas que sofrem de depressão e consigo trazer para elas palavras de conforto e amor que ajudam a superar aos poucos tanta dor e sofrimento que a depressão causa!

Tudo o que li, ouvi, assisti, conversei etc. Hoje me ajudam a ter mais repertório e consigo levar adiante muito desse aprendizado às vezes pelas textos do blog, mas acima de tudo, a partir das conversas que tenho com as pessoas!

Eu honro, agradeço e aceito tudo o que vivi até agora. Honro e aceito todas as escolhas e decisões boas e ruins. Todas elas me levaram até onde estou hoje e me iluminam para que as escolhas que faço e continuarei fazendo daqui pra frente me conduzam para uma versão melhor e mais ampliada de mim mesmo!

Essa é a dinâmica da vida. O processo de evolução constante. Espero que essas breves palavras tenham suscitado boas reflexões e alimentado em você a GRATIDÃO. Esse sentimento tão nobre e revolucionário…

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Viver nunca foi tarefa para iniciantes

Por Isaias Costa

“O cansaço é natural. Os dias difíceis acontecem. As pessoas passam por nossas vidas e, algumas ficam. Crescer, é uma obrigação. A saudade aperta às vezes. O coração fica pequeno. Olhos dormem tristes algumas noites. Mas tudo isso faz parte. Coisas maravilhosas nascem de repente também. A felicidade vem de uma tarde qualquer. Você se diverte até não se lembrar do ontem sem grana e da ferida que se fechou. O amor aparece, às vezes morre pequeno e às vezes se torna céu que não se conhece o limite. E tudo se repete. Sol vem. Sol se vai. E entre altos e baixos a gente se espreme e agradece. Viver nunca foi tarefa para iniciantes.”

Diego Vinícius

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Essas são palavras simples e muito verdadeiras! Quase sempre, quando leio textos reflexivos como esse, faço um flashback da minha vida e fico refletindo no quanto as coisas foram se desenrolando e se resolvendo com bem mais tranquilidade do que minha mente turbulenta supunha!

A gente se deixa levar demais por essa mente barulhenta e caótica, é a tal da mente que mente, como certamente você já deve ter ouvido falar não é mesmo? No momento em que escrevo e publico esse texto, já estamos nos aproximando do mês de agosto de 2022. A angústia relacionada ao isolamento por conta da pandemia já não é mais uma temática central. O que vem se tornando central agora são os estragos que todo esse isolamento trouxe para o nosso equilíbrio mental e emocional. E aqui sou o primeiro a me colocar nesse balaio ok?

Tive diversos episódios de ansiedade ao longo desses mais de dois anos de pandemia e nunca busquei tanto a meditação e a respiração consciente como uma forma de diminuir essa ansiedade, além do contato frequente com a natureza e as atividades físicas que tanto me alegram.

Se não fosse tudo isso, provavelmente eu teria crises de anisedade ou de pânico. Aproveito para deixar claro que todos nós precisamos desse autocuidado. Sem nos colocarmos como a maior prioridade, fica difícil ter uma vida harmoniosa nesse mundo cada vez mais turbulento em que vivemos!

Essas palavras do Diego são apenas para nos relembrar que o sol vem e vai todos os dias. Temos o dia e a noite, ou seja, momentos de agir, de fazer, de por a mão na massa, e momentos para descansar, relaxar, se entreter, silenciar etc.

Quanto mais tomamos conta de que a vida em todas as suas instâncias acontece dessa forma, a gente vai deixando de se estressar por tudo, de querer resolver tudo pra ontem! Será mesmo que precisamos de tanta pressa? Se tivermos consciência dos nossos passos, eu posso garantir pra você que não precisa ter pressa, afinal, a pressa é inimiga da perfeição, como diz o velho ditado!

Quero concluir com a mensagem que penso ser a principal no texto do Diego. Precisamos colocar mais nosso foco e atenção nas pequenas coisas, nas coisas simples do dia a dia. São elas que nos preenchem de alegria e sentido. São as coisas simples que nos fazem brilhar os olhos e nos encher de esperança de viver mais um novo dia.

Portanto, nunca se esqueça. A vida é uma jornada desafiadora para todos nós, absolutamente todos nós, mas quando tomamos consciência de que as pequenas coisas são as mais importantes, que não precisamos correr tanto e que tudo tem seus ciclos, pronto! Conseguiremos tirar de letra tudo o que surgir pelo caminho…

Paz e luz!

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Toda adversidade é um convite à mudança

Por Isaias Costa

“A realidade pode ser uma droga, se quisermos que seja diferente, ou nós podemos aceitar a realidade como ela é, e agradecer por isso. Isso leva prática, por que é difícil ficar grato quando você sente que está sendo tratado mal, ou quando você perde um emprego, ou perde alguém querido, ou quando está lutando contra uma doença. Mas essa é a realidade que você tem e não o ideal que você queria ter. E é uma realidade que possui beleza, se escolhermos vê-la. Essa habilidade nos deixa muito mais em paz com qualquer coisa que precisemos lidar.”

Leo Babauta

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É muito verdadeiro o que o Leo está trazendo nessas poucas palavras e todos nós em diversos momentos da vida passamos por crises e dificuldades que nos tiram o ânimo, o vigor, a autoconfiança e por vezes até a esperança de um futuro melhor.

É fundamental sabermos que nada na nossa vida acontece por acaso. São cada uma das nossas escolhas diárias e acima de tudo o que nutrimos dentro de nós que vai plasmando a nossa realidade.

É por isso que eu sempre insisto por aqui em buscarmos nos alimentar de coisas boas não apenas em termos de alimentos físicos, mas também tudo o que alimenta nossa mente e nossas emoções.

O Leo trouxe as principais aflições da maioria das pessoas em momentos de crise. Quando nos sentimos mal tratados é porque os nossos relacionamentos interpessoais estão em crise. Nessa hora, uma pergunta que devemos nos fazer é: “O que eu preciso mudar em mim mesmo para atrair melhores relacionamentos na minha vida?”. E a partir de muita reflexão e busca pelo autoconhecimento, descobrir o que levou a termos essas dificuldades.

Muitas vezes é a nossa baixa autoestima que nos leva a nos conectarmos com pessoas que não nos respeitam e admiram. É preciso resgatarmos nosso poder pessoal e autoestima para assim atrairmos pessoas que de fato vão nos respeitar e agregar valor à nossa vida!

Ele trouxe a perda de um emprego. Isso também é algo que mexe conosco profundamente, pois coloca em risco a nossa sobrevivência material. Disso decorre muita ansiedade e cenários catastróficos que na imensa maioria das vezes não se concretizam. A perda de um emprego pode ser vista como uma bela oportunidade para nos reinventarmos, aprendermos coisas novas, fazermos algum curso de nosso interesse e por aí vai. Eu, particularmente, gosto de pensar assim: “Se eu saí desse emprego agora, é porque certamente muito em breve virá uma oportunidade de trabalho melhor do que este último emprego…”. Só de pensar assim já vem uma paz e uma serenidade, além de um confiança no melhor para o futuro…

O outro exemplo é a perda de alguém, que pode vir ou pela morte ou por alguma separação ou afastamento. Com relação a isso eu sempre gosto de pensar em relação aos ciclos da vida. Tudo, absolutamente tudo, tem começo, meio e fim no mundo físico. E os relacionamentos são todos assim. Se alguém partiu, seja qual foi o motivo, é porque o tempo que ela deveria estar na nossa vida se encerrou. O que nos leva a ter dificuldade de aceitar isso são nossos apegos. Nós nos apegamos demais às pessoas e as situações nas quais nos conectamos. Mas tem zilhões de coisas que fogem completamente ao nosso controle.

Por exemplo, se uma pessoa querida morre devido à uma doença grave, não temos culpa sobre isso. Gostaríamos que ela se curasse e continuasse conosco, mas isso não aconteceu. É preciso vivenciar o luto e seguir a vida sem ela. Honrando e agradecendo tudo o que ela vivenciou conosco.

Se alguém nos deixa porque precisou se mudar de cidade, é simplesmente a impermanência fazendo o seu trabalho. Nós agradecemos por tudo que pudemos dividir, as alegrias e as tristezas, além das muitas histórias que ficarão para sempre guardadas na memória. Desejamos tudo de melhor para essa pessoa e seguimos nossa vida! É simples assim…

O último exemplo é sobre as doenças que nos acometem. Quase sempre o primeiro pensamento que nos vem é: “Poxa! O que eu fiz para merecer isso? Estar adoentado dessa maneira?”. A grande realidade é que nosso corpo carrega uma sabedoria milenar e que pode ser acessada a qualquer momento, basta que queiramos. Estou falando sobre o que chamamos de Metafísica da Saúde ou Linguagem do corpo. Todas as doenças sinalizam desequilíbrios que começam no nosso campo mental e emocional e depois acabam descendo até o corpo físico. Se conseguirmos compreender o porquê daquela doença ter se instalado em nós, agradecemos pela oportunidade de a transcendermos através da consciência, sairemos dela muito maiores e mais fortalecidos.

Enfim! Esse breve texto é apenas para lhe relembrar que as crises surgem na nossa vida para que a gente cresça como seres humanos e nos tornemos mais sábios e experientes. Aprendamos a ver dessa maneira que assim a vida se torna divertida e cada vez mais significativa…

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Todas as religiões trazem sabedorias que agregam valor às nossas vidas

Por Isaias Costa

“A pessoa que tem uma verdadeira experiência religiosa a mantém oculta no coração e não a espalha aos quatro ventos. Talvez possa conversar a respeito dela com outras pessoas que vivenciaram algo semelhante, sabendo que o que vivenciou é algo que Deus lhe revelou, mas que pode ter expressado também para outros de uma forma completamente diferente ou com um conteúdo distinto. Desse modo, surge naturalmente um profundo respeito pela ‘religio’ do outro (se for genuíno) e a necessidade de não atacá-la. Somente a pessoa que duvida de si mesma se vê sempre compelida a conquistar o maior número possível de admiradores para abafar as próprias dúvidas. Por conseguinte, Jung salienta que a experiência religiosa traz consigo sua própria prova, ainda que ao mesmo tempo o ego, apesar dessa experiência, nunca desista de duvidar de que a compreendeu corretamente. ‘Da minha parte, disse Jung, prefiro a dádiva preciosa da dúvida, porque ela não viola a virgindade das coisas que estão além do nosso alcance’. Essa atitude permanece eternamente nova e aberta a experiências internas ainda mais abrangentes.”

Marie-Louise von Franz

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Essas são palavras muito inspiradoras e diria até necessárias nesse tempo de tanta intolerância, tanta difamação, tanto desrespeito, tanto senso de verdade absoluta e por aí vai.

Essa grande psicoterapeuta, inspirada nos seus próprios estudos e na sabedoria do Carl Jung, nos ensina que o mais importante de tudo é ter a mente aberta para conhecer, para aprender, para adentrar no desconhecido e desta forma desbravar todo um universo de possibilidades e conhecimentos!

O que achei mais perfeito foi a citação de Jung: “prefiro a dádiva preciosa da dúvida, porque ela não viola a virgindade das coisas que estão além do nosso alcance”.

São palavras sábias e preciosas! Por mais que a gente estude, se aprofunde, leia um livro inteiro por semana, jamais conheceremos nem mesmo uma poeirinha do que há para ser conhecido. E mesmo as pessoas mais sábias e eruditas, o que elas sabem é simplesmente nada frente a um universo de coisas que não sabem!

Esse é o princípio por trás da famosa frase do oráculo de Delfos que é associada ao mestre Sócrates: “Só sei que nada sei”. Não quer dizer que ele não conhecia nada, não tinha nenhum conhecimento. Pelo contrário! Sócrates foi considerado o maior sábio da sua época, mas é porque ele tinha consciência absoluta de que aquilo que não sabia era absurdamente maior do que o pouco que sabia!

Levando essa mesma lógica para as religiões e seus livros sagrados, o que há pra se conhecer é um universo imenso. Só o Mahabharata da cultura hindu são milhares e milhares e milhares de versos belíssimos e ao mesmo tempo complexos! Só esse livro sagrado já é suficiente para nos tomar toda uma vida se quisermos estudar em profundidade. Temos a bíblia sagrada dos cristãos, os evangelhos apócrifos, o Alcorão, a Torá, o Talmude, o I Ching, o Tao Te King e zilhões de outros livros considerados sagrados e repletos de ensinamentos.

É uma arrogância sem tamanho dizer que a sua religião é a melhor ou é a única que leva a Deus. Quem diz esse tipo de absurdo ainda não entendeu nada sobre os ensinamentos dos livros sagrados e tem muito chão pela frente até sair dessa ignorância.

Esse é o cerne da mensagem da querida Marie-Louise von Franz e do Carl Jung. Espero que essas palavras tenham lhe inspirado tanto quanto me inspirou e você tenha a curiosidade de aprender um pouquinho com a sabedoria das outras religiões fora da que você já frequenta, ou mesmo se não é adepto de nenhuma, que tenha a mente aberta para aprender com tantas sabedorias diferentes, mas todas riquíssimas em valores para a nossa vida e nosso desenvolvimento!…

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Um caminho para a serenidade

Por Isaias Costa

“Serenidade é um termo que pode ser definido de várias maneiras; uma delas é a capacidade de não se desesperar diante de situações adversas.

Segundo Epicteto, o homem encontra a serenidade quando se ocupa exclusivamente daquilo que depende dele e aceita com docilidade todo o resto.

Aceitar tudo aquilo que não depende de nós é algo que só pode nos fazer bem; isso porque subtrai muitas das nossas aflições e preocupações.

A famosa “oração da serenidade” nos leva a pedir força para enfrentar o que depende de nós e docilidade para aceitar aquilo que não depende.

A oração da serenidade termina com a parte mais relevante: “dai-nos sabedoria para distinguir o que depende de nós daquilo que não depende”.

A primeira condição para a serenidade está relacionada com a humildade: aceitar que muitas coisas que nos são essenciais independem de nós!

A serenidade depende da aceitação de que vivemos uma condição de incerteza e aprender que isso é o que torna a vida uma aventura fascinante.

Se tivéssemos controle ou conhecimento de tudo o que ainda temos para viver, é provável que ficaríamos entediados e sem qualquer curiosidade.”

Flavio Gikovate

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Essas palavras do Gikovate são preciosas! Ele está nos relembrando aquilo que já sabemos, mas por causa dos estresses do dia a dia, acabamos esquecendo! Nós conquistamos a serenidade quando buscamos fazer o nosso melhor, sabendo que existem zilhões de coisas que fogem completamente ao nosso controle.

Nós sofremos porque queremos controlar o incontrolável ou mudar aquilo que não pode ser mudado, e aqui obviamente trago as pessoas de um modo geral. Cada uma tem seu jeito de ser, com todas as suas qualidades e defeitos. Mas parece que boa parte de nós foca nos defeitos em vez das qualidades!

Só de buscarmos mudar o nosso olhar para ver mais as qualidades e virtudes das pessoas, parte dessa serenidade já se instala em nós. E quando juntamente com isso aprendemos sobre a impermanência, aí vamos transformando as vivências em aprendizado e sabedoria.

As coisas raramente acontecem conforme planejamos e é maravilhoso que seja assim, porque se temos abertura de mente e de coração, aos poucos vamos percebendo que aquilo que não aconteceu exatamente do jeito que queríamos foi como uma espécie de “ajudinha do universo” para que a gente aprenda mais e cresça durante o processo.

Vou trazer um exemplo para que fique fácil de entender. Digamos que você é muito apegado à sua mãe e morre de medo de perdê-la. Por conta do apego a ela você não consegue alçar grandes voos na vida, fica com medo e inseguro de partir para o desconhecido. E por alguma fatalidade essa mãe acaba desencarnando. A perda dessa pessoa tão importante se mostra como uma baita oportunidade de transformar esse apego em maturidade, em transcendência, em evolução do ser. O que muitos acabam atinando, mas outros infelizmente não, e está tudo bem. Cada um está vivendo seus processos no seu tempo e no seu ritmo.

A serenidade é aceitar tudo aquilo que foge do meu controle e tentar extrair lições e aprendizados de cada experiência vivida.

Eu amei o final do texto do Gikovate e fiz um flashback da minha vida. Eu jamais faria a menor ideia do que estaria vivenciando hoje. Estou escrevendo esse texto no fim de maio de 2022 e muitas coisas que vivi são completamente diferentes do que imaginava há alguns anos!

Jamais iria prever que teríamos uma pandemia avassaladora deixando quase 700 mil mortos no Brasil, juntamente com uma gigantesca crise nos mais diversos setores. Eu imaginava que estaria com minha própria família estruturada e com pelo menos 1 filho. Imaginava que estaria dominando o inglês com perfeição ou que já teria feito ao menos uma viagem pra Europa. E quer saber? Nada do que citei aconteceu pelo menos até o momento em que escrevo.

Mas se eu soubesse disso anos atrás talvez ficasse triste, deprimido, me sentindo um derrotado. Olhando minha vida hoje, dá vontade de rir de tudo isso, porque na realidade a vida me direcionou para tudo aquilo que eu precisava viver, conhecendo as pessoas e lugares que eu precisava conhecer e por aí vai!

Então a impermanência é uma das maiores bênçãos da nossa vida, basta que tenhamos olhos de ver, como diria o mestre Jesus Cristo.

Que esses palavras lhe inspirem de alguma forma a seguir seu caminho evolutivo, utilizando a oração da serenidade no dia a dia e sabendo que com ela a nossa vida pode ganhar um sentido muito mais profundo…

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As oportunidades nunca deixam de surgir a cada momento

Por Isaias Costa

Opportunity – Walter Malone

Ofendem-me os que dizem que não voltarei,

Porque bati à tua porta e não te encontrei;

Porque todas as noites permaneço à tua porta,

E ordeno que despertes e te ergas para lutar e vencer.

Não chores pelas preciosas chances que passaram;

Não chores pela idade de ouro que se foi;

Todas as noites queimo o registro do dia;

Ao erguer do sol, todas as almas nascem de novo.

Ri como um menino aos esplendores que passaram.

Às alegrias que se esvaíram, sê surdo e mudo.

O meu julgamento sela o passado que morreu,

Mas nunca prende um momento ainda por vir.

Mesmo afundado na lama, não torças as mãos nem chores.

Dou o meu braço a todos os que dizem: “Eu posso!”

Nenhum pária algum dia caiu tão baixo

Que não pudesse erguer-se e ser um homem novamente!

Lastimas a mocidade perdida?

Hesitas em desfechar um golpe merecido?

Volta-te então dos arquivos apagados do passado,

E encontrarás as brancas páginas do futuro.

Choras por uma pessoa amada? Liberta-te da magia;

És um pecador? O pecado tem perdão;

Cada manhã te dá asas com que voar do inferno,

Cada noite uma estrela para te guiar aos céus.

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Eu fiquei absolutamente encantado com a leitura desse poema de Walter Malone que encontrei num famoso livro chamado “A lei do triunfo” de Napoleon Hill. O poema encarna a “oportunidade” e lhe dá voz como se fosse uma personagem.

Sempre que escrevo sobre isso gosto de primeiro ir à raiz da palavra oportunidade, que é belíssima. Ela remonta à navegação em tempos longínquos no qual existiam diversos tipos de ventos e para cada um deles eram dados nomes provenientes do latim. Um desses ventos era chamado de “ob portus”, que significa “vento que leva para o porto”. E oportunidade deriva dessa palavra. Ou seja, ela é como um vento que leva até o porto, que é um local de segurança e conforto. Interessante não é mesmo?

O que acho mais incrível é que os ventos nunca param. Depois que um vento sopra vem outro e outro e outro… Porém, vale destacar que o mesmo vento nunca sopra duas vezes e no mesmo lugar. Em outras palavras, uma vez que perdemos uma oportunidade, devemos aceitá-la e partirmos para outra. E aqui faço o link com esse belo poema. Logo na primeira linha a oportunidade diz:

Ofendem-me os que dizem que não voltarei

E ela continua dizendo:

Porque bati à tua porta e não te encontrei;

Porque todas as noites permaneço à tua porta,

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Então só cabe a cada um de nós estar atento à passagem desse vento sutil e suave. As oportunidades surgem de “n” formas possíveis: através de uma conversa inspiradora com um amigo, de uma pessoa que esbarra com você no meio de um evento, de alguém que passa boa parte de uma viagem de avião conversando e dali se inicia uma amizade, um vídeo que você assiste despretensiosamente e tem um insight que revoluciona sua vida…

Ou mesmo de formas aparentemente tristes e decepcionantes como a perda de um emprego, a perda de uma grande amizade, a viagem para o exterior de alguém que você ama muito, a morte de uma pessoa significativa etc. Tudo isso são oportunidades disfarçadas para que nós tenhamos experiências que vão proporcionar o nosso crescimento como seres humanos nas mais diversas áreas da vida!

São extremamente inspirados esses versos:

Mesmo afundado na lama, não torças as mãos nem chores.

Dou o meu braço a todos os que dizem: “Eu posso!”

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Aqui ele fala sobre as oportunidades disfarçadas nas experiências de sofrimento. Elas servem pra que nos fortaleçamos interiormente, principalmente no sentido espiritual. E se dizemos: “Eu posso!”, com firmeza e propósito, maravilhas vão surgir dessa determinação!

É como diria o mestre Chico Xavier numa de suas frases mais famosas: “Isso também passa!”. Momentos de dor, tormentas, sofrimentos, também vão passar, assim como momentos de glórias e grandes alegrias também dão lugar a novas experiências de dor, tristeza e sofrimento.

A vida tem esse movimento pendular o tempo todo e quanto mais cedo compreendemos isso melhor!

E os dois versos finais também são estupendos:

Cada manhã te dá asas com que voar do inferno,

Cada noite uma estrela para te guiar aos céus.

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Aqui é incrível a analogia com o olhar para cima, pra frente e para o alto, como muitos dizem. Lendo esse trecho até lembrei da querida profa. Cristina Cairo, que em todos os seus vídeos sempre começa dizendo: “Levanta a cabeça!”, pois essa é uma atitude que a própria neurociência já comprovou que faz com que nos sintamos automaticamente mais motivados e ativos.

Está passando por um momento infernal? Levante a cabeça e acione as suas asas que estão aí meio escondidas mas prontas para que você alce grandes voos! Está com a mente enovelada com a escuridão da noite? Então olhe para as estrelas e se deixe ser guiado por elas…

Que esse poema inspire você tanto quanto me inspirou, e que se for possível, escreva em algum lugar para ser relido em outros momentos ou salve esse texto para utilizá-lo como uma injeção de ânimo e força!

Vamos juntos aproveitar as belas e inúmeras oportunidades que a vida nos traz todos os dias…

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Toda ação nobre é voluntária

Por Isaias Costa

“Nada é nobre se é feito a contragosto ou sob compulsão. Toda ação nobre é voluntária.”

Sêneca

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Sempre que eu falo ou escrevo sobre o voluntariado, a primeira coisa que me vem em mente é a etimologia incrível dessa palavra. Ela deriva de volutas, que significa “vontade”. Ou seja, as atitudes voluntárias por definição só são possíveis se de fato existe vontade nas pessoas que as executam!

Então o Sêneca associa vontade com a nobreza, ou seja, algo de grande valor! E ele inicia a frase dizendo que algo feito a contragosto ou sob compulsão não pode ser nobre! Analisando essa palavra contragosto eu me lembrei de uma belíssima parábola contada por Jesus na qual ele fala sobre dois filhos que foram chamados para trabalhar na vinha junto com seu pai. O pai chamou o primeiro e este disse: “Não quero”. Porém, se arrependeu e acabou indo. Depois o pai chamou o segundo filho e este prontamente respondeu “Sim, senhor!”, mas acabou não indo! Daí, ele faz o questionamento: “Qual dos dois fez a vontade do pai?”.

Essa parábola traz um simbolismo belíssimo de que não importa tanto o que se diz, mas acima de tudo o que se FAZ, ou seja, as AÇÕES. Até porque muitas vezes, nós no calor dos momentos de raiva, impaciência, cansaço, tristeza etc. dizemos coisas que pouco depois nos fazem arrepender de termos dito. É muito fácil nos perdermos nas nossas palavras, agora quando se trata das ações a coisa é mais profunda!

São as ações que vão criando a nossa realidade e nosso destino. Então precisamos nos pautar numa ética profunda para que nossas ações reflitam o melhor que há em nós!

A segunda palavra que Sêneca traz é a compulsão, ou seja, tudo aquilo que se torna de certa forma viciante em nós. E o interessante é que às vezes temos atitudes viciantes que são vistas como positivas para a maioria das pessoas, sendo que na realidade não são. Por exemplo: você é uma pessoa que se mata de trabalhar para dar um boa condição material para a família, mas em decorrência disso não tem tempo de estar com os filhos ou com a esposa ou marido. Deixa de viver momentos preciosos ao lado deles para conseguir arcar com os custos do padrão de vida que foi estabelecido.

Esse é um exemplo clássico das pessoas que são chamadas de workaholics. Muitas delas são vistas como heróis ou heroínas pela sociedade, mas internamente quase sempre elas se sentem um fracasso nos outros setores da vida que não o profissional e financeiro.

As ações nobres segundo o Sêneca são aquelas que vêm do voluntariado. Eu faço porque quero e porque sei que é o melhor a ser feito. Para se conseguir isso é preciso acima de tudo um investimento constante e ininterrupto no autoconhecimento. No exemplo que dei sobre os workaholics, essas pessoas negligenciam vários setores importantíssimos da vida como saúde do corpo, família, amigos, lazer, espiritualidade etc. Isso está longe de ser o espírito do voluntariado proposto por Sêneca entende? Então não há nobreza em negligenciar tantas coisas que são vitais para nós…

Quero concluir esse texto relembrando um conceito belíssimo de ética que o Prof. Mario Sergio Cortella sempre traz em suas palestras e livros. Em tudo que formos fazer, precisamos nos basear em três perguntinhas básicas: “Quero? Posso? Devo?”. As ações voluntarias obrigatoriamente devem ter SIM para as três perguntas. Quero? SIM. Posso? SIM. Devo? SIM.

O Cortella costuma dizer que tem coisas que quero, posso, mas não devo. Outras eu devo, quero, mas não posso… e por aí vai! Se gera conflitos internos, então o melhor é não fazer.

Parece simples, mas na realidade esse é um exercício bastante exigente e como falei, requer um mergulho constante no autoconhecimento.

Vamos juntos nos esforçar para ter ações nobres? Ações pautadas numa vontade inabalável? Esse é o caminho para se alcançar maior plenitude na vida…

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