Lições da história de Agar e de seu filho

Por Simone Oliveira

Paciência

(baseado no livro de Gênesis da Bíblia, nos capítulos 16 e 21).

Certa vez eu ouvi uma reflexão a respeito de Agar, a serva de Sara, o que me fez pensar e escrever este texto.

Para quem não conhece os fatos, a Bíblia relata que Agar era egípcia e havia se tornado escrava na casa de Abraão, servindo a Sara, sua esposa (uma prática muito comum na época).

Deus havia dado uma promessa à Abraão: mudou o seu nome, que antes era só Abrão, para que ele lembrasse que seria pai de uma grande nação. O nome de sua esposa também mudou, no caso, de Sarai para Sara.

Porém, aparentemente Deus estava demorando muito para cumprir essa promessa. A esposa de Abraão não podia ter filhos e a idade estava avançando, então ela, muito ansiosa, resolveu dar um jeito de fazer cumprir com suas próprias mãos o plano divino. Ou seja, não esperou a vontade de Deus.

Sara deu Agar a Abraão para que ele tivesse relações com ela e, o filho que nascesse seria então o prometido. Abraão o fez, e nasceu Ismael.

Acontece que, anos mais tarde, Sara teve Isaque, filho de Abraão. E, enquanto ele era apenas um bebê, Ismael já estava na puberdade.

Não sabemos exatamente o que levou Ismael a caçoar de seu irmão, mas podemos examinar a situação: até então ele era tratado como único filho, e, ao ver Isaque nascer, pode ter se sentido com inveja ou talvez ameaçado de ter seus privilégios tirados, pois foram anos sendo lembrado de como ele teria um futuro brilhante. Não seria fácil tirar essa ideia de sua mente.

E quanto a Agar? Quantos anos ela não deve ter se sentido vitoriosa por ter sido a mãe desse filho, enquanto Sara, sua “patroa”, era estéril?

Com a situação armada, os conflitos dentro de casa foram frutos dos erros do passado e Sara mandou que Agar e o filho Ismael fossem expulsos, indo peregrinar no deserto. Imagino que a vontade da mulher era de que os dois morressem, mas ainda sim Deus concordou e deixou que eles fossem para lá.

Abraão teve que mandar seu filho embora, porém, a misericórdia de Deus foi maior, e, a despeito de todos os percalços e falhas cometidas, Ele perdoou a família e prometeu cuidar da mãe e do menino banidos. Deus prometeu que, assim como de Isaque, de Ismael nasceriam também muitos descendentes.

No deserto Agar ainda clamou a Deus e Ele a fez enxergar o poço que estava ali bem na sua frente. Eles nunca foram desamparados.

O que aprendi com essa história é que:

  1. Ainda que conheçamos a vontade de Deus e mesmo assim tropecemos, Ele nos repreende com palavras e perdoa se nós nos arrependermos.
  2. Deus não foi conivente com o erro, apenas tolerou o fato de que Abraão se deitou com outra mulher. Da mesma forma, Deus não concordava com tantos outros homens que tiveram muitas esposas, mas a misericórdia DELE nos mostra um Deus que é pai, e não carrasco.
  3. Deus não tira as consequências de nossos atos, mas, com certeza, passar pelas mesmas ao lado Dele é melhor do que passarmos sozinhos.
  4. Deus estende a promessa à Ismael, ainda que ele fosse fruto de uma imprudência. Afinal de contas o menino não tinha culpa das decisões das pessoas à sua volta. Porque Ele não faria isso conosco?
  5. Deus viu o que era melhor para todos e deixou que Agar fosse para o deserto. À primeira vista parece injusto com ela, porém, Ele se mostra presente durante seus problemas. Deus sempre sabe e nos guia – se deixarmos – para um plano de vida melhor, ainda que pareça a pior solução no início. Ele vê o futuro, vê o que podemos aprender com as falhas e com as situações difíceis e quer moldar o nosso caráter onde nós mais temos dificuldade de aceitar e mudar pelas nossas próprias forças.
  6. A nossa ansiedade diária e impaciência para com os propósitos divinos para nós torna as coisas mais complicadas do que elas realmente são. Sara não soube esperar e criou uma situação-problema. Quantas vezes não fazemos o mesmo? Ouvimos a voz do Espírito Santo dizendo para não ir por tal caminho, mas a nós nos parece tão simples e saboroso o caminho do momento atual e, se nós não temos calma para lidar com as pequenas causas, imagine com as grandes!
  7. Confiar em Deus e agir conforme a vontade Dele pode evitar a maioria dos problemas em que nos metemos quando temos uma vida longe dos seus ensinos. É reconfortante voltar aos braços de Jesus quando somos velhinhos, depois de uma jornada construída fora dos princípios, mas é ainda mais belo nunca nos desapegarmos dos braços do Pai. Enquanto somos jovens pode parecer que estamos perdendo muito do que acontece lá fora, todas as oportunidades maravilhosas que o mundo oferece, porém, mais tarde elas cobram seu preço.

Isso está de modo torto descrito na frase: Ou vamos a Cristo pelo amor ou pela dor.

Prefiro ir todos os dias pelo amor. Tenho, assim, mais motivos para agradecer o cuidado de Deus em minha vida do que para pedir que Ele conserte meus erros.

euSimone Oliveira. Santos-SP. Bacharel em Engenharia Civil por formação e escritora por gosto. Estuda para concursos e se dedica às aulas particulares de exatas, ao namorado, à família e às suas atividades na igreja. Ainda não descobriu seu propósito na vida, mas tem certeza de que tem um. Pede que Deus a guie por esse caminho até a sua volta.

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1 comentário

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Uma resposta para “Lições da história de Agar e de seu filho

  1. Débora

    Bela reflexão! Que nosso coração esteja sempre voltado para cumprir a vontade de Deus em nossas vidas!

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