Vale a pena se apoiar nos ombros de gigantes?

Por Isaias Costa

Existe uma linda frase atribuída ao grande cientista Isaac Newton que diz o seguinte: “Se cheguei até aqui foi porque me apoiei nos ombros de gigantes”. Essa é uma frase que inclusive repliquei em vários textos de minha autoria.

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Porém, hoje venho me questionar e acima de tudo, questionar a você que me lê: “Vale a pena se apoiar nos ombros de gigantes?”. Em um primeiro momento essa parece ser uma pergunta meio maluca, do tipo que se responde: “Mas é óbvio que sim…”. Será que é tão óbvio?

O que me inspirou a escrever esse texto foi uma aula super instigante que assisti no curso de Filosofia que estou fazendo. O professor disse mais ou menos assim: “Se você quer se tornar um bom filósofo, principalmente agora que está iniciando, tenha bastante cautela ao se apoiar nos ombros de gigantes, porque sem a cautela você poderá lá na frente pisotear os outros, se tornar um pedante…” – Prof. Custódio de Almeida.

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Essas palavras ficaram reverberando dentro de mim de uma forma intensa. Ele foi muito feliz ao nos dizer isso em sala de aula, porque realmente acontece de muitas pessoas que se desenvolvem intelectualmente se tornarem pedantes, arrogantes e se sentem superiores aos outros.

Quero ressaltar que quando Newton disse a sua famosa frase estava enaltecendo a virtude da HUMILDADE, pois ele bebeu das maiores e melhores fontes de conhecimento, para com essa base forte e estruturada, desenvolver as suas próprias teorias.

Já o que o professor Custódio disse na aula foi levando para o extremo oposto. Existem também os que acumulam uma quantidade absurda de conhecimento e não o utilizam para o bem comum, não o compartilham, não o transformam em novas teorias, em novos caminhos de consciência etc. Acabam se tornando PAPAGAIOS, meros repetidores do que os outros disseram.

Essa reflexão até me fez lembrar de um episódio muito engraçado do seriado “Chaves”, no qual o Chaves faz um papel de mensageiro, mas se enrola todo ao tentar dar a mensagem: “O Quico disse que a mãe dele disse que dissesse pra mim que dissesse pro senhor que a mãe dele disse que dissesse pra mim que dissesse pro Quico…”. Segue o vídeo de 44 segundos que traz essa cena cômica!

O que quero dizer (agora sem brincadeira), é que de nada adianta ser um IMITADOR, só reproduzindo um montão de ideias que vem de grandes pensadores. Se tais pensamentos não me levam a crescer, a evoluir, a ser mais virtuoso, é literalmente uma perda de tempo, e como sempre digo, perda de tempo é perda de vida

Em um texto recente expliquei que aquilo que compartilhamos sempre vem de algum lugar, nunca vem do nada, o que se confirma na frase do Newton. Só aí já temos um motivo suficiente para sermos humildes, pois precisamos e sempre aprendemos com o outro, ou seja, eu preciso do outro para crescer e evoluir, SEMPRE, é impossível fugir disso…

Essa é a sutil diferença entre se apoiar nos ombros de gigantes positivamente falando ou negativamente falando.

Voltando à pergunta: Vale a pena se apoiar nos ombros de gigantes?

Eu diria que SIM, desde que se mantenha sempre os pés no chão, desde que você não se torne um pedante que sai por aí vomitando regras morais aos outros, desde que antes de tudo você utilize o conhecimento adquirido para transformar a si mesmo positivamente…

Concluo essa breve reflexão trazendo algumas palavras bem pertinentes ao que foi exposto aqui, são palavras extraídas do livro “Pensar bem nos faz bem! – Vol 2”, do filósofo e professor Mario Sergio Cortella.

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Dá ânsia imaginar pessoas que, por causa do lugar onde estão, daquilo que possuem, do estudo que conseguiram, sejam capazes de ter soberba e arrogância, em vez de usar a vida para partilhar e ficar orgulhosa daquilo que conseguiram.

Melhor pensar como os chineses, e gosto de retomar esse antigo ditado, “quando a partida de xadrez termina, o peão e o rei vão para a mesma caixinha”…

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Peças do xadrez na caixinha

Essa última frase tem uma simbologia magnífica com a MORTE. Peão e Rei vão para a mesma “caixinha”. Na realidade essa caixinha de chama “caixão”. Ou em algumas culturas se chama “cinza” (locais onde se crema o corpo morto).

De que adianta tentar ser superior aos outros? Somos humanos, falhos, imperfeitos, cheios de lacunas que nunca serão totalmente preenchidas.

A principal mensagem é essa: sejamos humildes!

Os considerados gigantes, tanto por Newton quanto por mim, foram aqueles que utilizaram suas inteligências acima da média para trazer algo de bom para a humanidade, como Galileu, Copérnico, Kepler, Arquimedes, Tales, Pitágoras e por aí vai.

Não importa tanto ser peão ou rei. O mais importante é sermos humanos no mais bonito da palavra, termos humanidade! E a verdadeira humanidade só se conquista sendo humilde…

 

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