A parábola dos cegos e o elefante

Por Isaias Costa

Blind Men and Elephant drawing

Uma das parábolas mais conhecidas pela maior parte das pessoas é a dos cegos e o elefante. Ela inclusive é lida até mesmo nas séries primárias da escola. Lembro que foi na escola a primeira vez que a li. Vamos a ela…

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Certo dia, um príncipe indiano mandou chamar um grupo de cegos de nascença e os reuniu no pátio do palácio. Ao mesmo tempo, mandou trazer um elefante e o colocou diante do grupo. Em seguida, conduzindo-os pela mão, foi levando os cegos até o elefante para que o apalpassem. Um apalpava a barriga, outro a cauda, outro a orelha, outro a tromba, outro uma das pernas. Quando todos os cegos tinham apalpado o paquiderme , o príncipe ordenou que cada um explicasse aos outros como era o elefante, então, o que tinha apalpado a barriga, disse que o elefante era como uma enorme panela. O que tinha apalpado a cauda até os pelos da extremidade discordou e disse que o elefante se parecia mais com uma vassoura. “Nada disso “, interrompeu o que tinha apalpado a orelha. “Se alguma coisa se parece é com um grande leque aberto”. O que apalpara a tromba deu uma risada e interferiu: “Vocês estão por fora. O elefante tem a forma, as ondulações e a flexibilidade de uma mangueira de água…”. “Essa não”, replicou o que apalpara a perna, “ele é redondo como uma grande mangueira, mas não tem nada de ondulações nem de flexibilidade, é rígido como um poste…”. Os cegos se envolveram numa discussão sem fim, cada um querendo provar que os outros estavam errados, e que o certo era o que ele dizia. Evidentemente cada um se apoiava na sua própria experiência e não conseguia entender como os demais podiam afirmar o que afirmavam. O príncipe deixou-os falar para ver se chegavam a um acordo, mas quando percebeu que eram incapazes de aceitar que os outros podiam ter tido outras experiências, ordenou que se calassem. “O elefante é tudo isso que vocês falaram.”, explicou. “Tudo isso que cada um de vocês percebeu é só uma parte do elefante. Não devem negar o que os outros perceberam. Deveriam juntar as experiência de todos e tentar imaginar como a parte que cada um apalpou se une com as outras para formar esse todo que é o elefante.”

Algumas conclusões sobre essa história…

A experiência das coisas que cada homem pode ter é sempre limitada. Por isso, a sensatez obriga a levar em conta também as experiências dos outros para se chegar a uma síntese.

A pessoa, o ser humano, apresenta muitas facetas. Existe o risco de polarizar a atenção em algumas delas, ignorando o resto. Fazendo isso, estaríamos repetindo os cegos da parábola. Cada um ficaria com uma visão unilateral e parcial.

Para obtermos uma visão o mais integral possível do que é uma pessoa, devemos reunir, numa unidade, os numerosos aspectos que podem ser observados no ser humano.

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É possível tirar muitas e muitas lições desta linda parábola. Mas a principal é sobre a VERDADE. O que é a verdade? Já falei várias vezes por aqui que eu não sei, porque a verdade é algo absolutamente individual. Ninguém sabe a verdade, o que sabemos é apenas algo infinitesimal do que seria a verdade, e ainda esse pouco, é cheio de incoerências, de bloqueios, de medos, de limitações etc.

Se você aprender de verdade a mensagem contida nesta parábola, uma das primeiras coisas que vai acontecer com você é que deixará de ser um INQUISIDOR. Você deixará de apontar o dedo na cara das pessoas e dizer: “Isso é a verdade! É isso! É aquilo”. Você vai parar com isso, porque essa atitude só revela o quanto você não sabe de nada e o quanto é inseguro. Sim! Inseguro. Está cheio de medos. Não quer abrir a mente para admitir que os pensamentos dos outros são verdade dentro do contexto deles.

Escrevi um pouco mais detalhadamente sobre isso, inspirado nas sábias palavras do meu amigo Rubem Alves, e você pode ler clicando [aqui].

Deixando de ser um inquisidor, você comecará a pensar mais por conta própria, comecará a crescer dentro de você uma das maiores maravilhas para se tornar uma pessoa sábia. Você vai começar a aprender a ARTE DA DÚVIDA. O que é a arte da dúvida? É você não se mostrar dono da verdade para com absolutamente nada e perceber que sempre, sempre existem diversos pontos de vista para o mesmo assunto, tema, pensamento, convicção etc.

Provavelmente você já deve ter lido por aí a seguinte frase do Freud:

Não tenha certeza de nada, porque a sabedoria começa com a dúvida”.

Quando você não tem dúvidas, automaticamente se fecha dentro do seu pensamento, e isso é muito perigoso. Pessoas fechadas nos seus pensamentos normalmente são tão chatas! Você não acha?

Quero com esse texto levar você a aprender isso que é tão simples e transformador na nossa vida. Você certamente se tornará uma pessoa mais agradável ao introjetar no mais profundo do seu coração esse ensinamento.

É lógico que também estou levando essa reflexão para o campo das religiões. Todas as religiões têm belezas infinitas. Nenhuma delas contêm uma verdade suprema. Por que conteria? Sabe me responder a essa pergunta? Como algo que foi feito por homens pode ter uma verdade suprema? Nós que somos tão imperfeitos?

Pelo fato de estarmos no ocidente, é provável que algum leitor talvez diga que a igreja de Jesus é perfeita! Sabe de uma coisa interessante? Jesus nunca quis fundar uma igreja no qual as pessoas o adorassem. Há quase 2000 anos essa ideia é passada de geração em geração.

Uma frase bíblica extremamente distorcida é essa aqui: “Pedro! Tu és pedra, e sobre ti edificarei a minha igreja”. Ainda vou escrever com mais calma sobre isso, mas Jesus nunca quis dizer que era uma igreja de pedra. Não! Essa igreja é o caminho do coração, a conexão com nosso eu interior mais profundo, que Pedro conseguiu acessar, por isso Jesus o elogiou. Aguarde! São cenas dos próximos capítulos…

O nosso universo é imenso, é infinito, e seria muita prepotência nossa dizer que conhecemos a verdade! Nenhum de nós jamais conhecerá a verdade. Nem temos ideia se existe vida fora do planeta Terra. Quanto mais pensarmos sobre verdades universais.

Esse é um exercício de humildade. Nos tornamos mais humildes ao sabermos do tamanho da nossa insignificância perante esse universo tão maravilhoso.

Tudo isso tem a ver com a parábola dos cegos e o elefante. Precisamos eliminar nossa cegueira interior jogando luz sobre ela, e essa luz se chama consciência

Para concluir, deixo como reflexão um excelente vídeo do filósofo Mario Sergio Cortella que viralizou pela internet. Nesse vídeo ele nos questiona: “Você sabe com quem está falando?”. E sua resposta é: “Você tem tempo?”. Reserve 8 minutos do seu tempo e você saberá qual é a sua resposta…

6 Comentários

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6 Respostas para “A parábola dos cegos e o elefante

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  2. Rafael Mendonca

    Muito bom!

  3. Tereza Fagundes

    Excelente!

  4. Eduardo Cruz Figueiredo

    O elefante era a verdade. O príncipe tinha a verdade, ele sabia que se tratava de um elefante. Logo, ele estava certo, enquanto os demais errados.

    A princípio parece uma questão de orgulho ou enfim, de alguma pessoa fanática. Mas, se o príncipe nao tivesse a verdade, ou seja, se ele próprio não soubesse que se tratava de um elefante, nada na parábola faria sentido. Eles partiram de um absoluto: o elefante.

    A verdade não pode ser relativizada. O elefante precisa ser um elefante para todos, para o príncipe e para o cegos. Um não pode ver um elefante, enquanto o outro vê uma baleia e o outro uma cobra.

    Quando você fala que “Já falei várias vezes por aqui que eu não sei, porque a verdade é algo absolutamente individual”, você faz da sua própria afirmação uma verdade absoluta.

    Não estou aqui, de forma alguma, tentando parecer rude.. Mas filosoficamente falando, essa parábola, per se, não faria sentido se não soubéssemos da verdade.

    um abração!

    • Rudy Barbosa

      Vejo seu ponto de vista Eduardo, porem acredito que sua interpretacao esta falha. Todos os cegos estavam corretos em suas descricoes. Existem varios aspectos verdadeiros de uma verdade que por si sos nao levam ao todo mas que quando adicionados revelam o que e verdadeiro. No exemplo do elefante, os cegos tiveram acesso a elementos verdadeiros de uma verdade absoluta. As partes tocadas formam o todo. Concordo que a verdade é unica mas e composta por varios elementos verdadeiros.

      • Eduardo

        Se a minha interpretação está falha, é porque existe uma interpretação que é verdeira, no seu ponto de vista, a sua interpretação é verdadeira enquanto a minha não. Mas voce disse que nao há uma verdade. Entende como isso nao faz sentido?

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